Conselho Europeu: o Brexit como motivo para a federalização

Paris e Berlim querem uma Europa mais coesa – o que, no caso, quer dizer mais federada. Tudo se parece conjugar nesse sentido.

Ficou claro no Conselho Europeu que decorrer na quinta e sexta-feira passadas que os líderes europeus estão finalmente apostados no aprofundamento da federalização como forma de tornar a União Europeia mais eficaz. Temas como o do controlo da imigração e principalmente o da defesa comum foram analisados sob um enquadramento que até agora estava longe dos horizontes dos 27 países que a compõem: ao invés de procurarem uma solução para os seus problemas atirando-os para fora das suas fronteiras – para a Turquia no caso dos imigrantes ou para a NATO no caso da defesa – decidiram encontrar formas de os resolver dentro de casa.

A envolvente mundial – ou, dito de outra forma, o facto de Donald Trump ter sido eleito para presidente dos Estados Unidos e ter instalado em Washington uma política externa que se tem revelado extremamente incompetente – ajudou a esta alteração, mas talvez seja o Brexit (cuja discussão começou esta semana, com o registo das primeiras escaramuças) a constituir o verdadeiro motor da motivação.

É por isso – e as escaramuças logo ao primeiro embate provam-no – que o Brexit será penoso para os britânicos: a União Europeia quer, por um lado, provar a todos os que ficam que sair não é uma opção (ou é uma opção que não passa de uma péssima ideia) e, por outro, quer aproveitar para explicar aos que permanecem que a federalização é o veículo para tornar mais eficaz essa permanência.

Só para ajudar, o novo presidente francês, Emmanuel Macron – que debutou em termos de Conselho Europeu – é convictamente favorável à federalização, o que parece agradar à chanceler Angela Merkel (mesmo que pareça haver ali, como se costuma dizer, galos a mais para um só poleiro). E fez tudo o que estava ao seu alcance para compor as coisas: foi o último dirigente da União Europeia a estar com a primeira-ministra Theresa May antes do início das reuniões sobre o Brexit e colocou a hipótese de os britânicos optarem por, afinal, não saírem. Theresa May não quis. Azar: o Brexit vai mesmo ser a doer.

Na reunião do Conselho Europeu os líderes da União Europeia congratularam-se com o retorno encorajador do crescimento económico a todos os Estados Membros, sublinharam a importância da estratégia global da União em matéria de migração “e comprometeram-se a intensificar o trabalho em defesa e segurança”, segundo nota oficial. Falando sobre as propostas concretas da Comissão sobre defesa, o presidente Juncker disse que “ a proposta de criar um Fundo de Defesa é necessária – porque na Europa temos 178 tipos de sistemas de armas, enquanto os EUA têm 30. […]. Há espaço para melhoria e é exatamente o que decidimos hoje”.

Os chefes de Estado ou de governo também discutiram “como desbloquear o potencial do Mercado Único, bem como o comércio e a indústria, ao mesmo tempo em que se assegura que os benefícios atinjam todas a sociedade. O presidente Juncker sublinhou a melhoria da situação económica na Europa: “Temos boas notícias. O desemprego está diminuindo, o emprego está melhorando, o crescimento acontece, […]. O défice fiscal está a diminuir: em 2011, tivemos 24 países no Processo de Défice Excessivo, ficamos agora com quatro países. Esta é uma conquista tremenda […]”.

A Comissão publicou as primeiras conclusões de um inquérito do Eurobarómetro que mostram que atualmente quase metade dos europeus acredita que a situação económica é positiva no seu país (o que compara com os 20% registados em 2009) e que o otimismo está em ascensão em relação ao futuro da União (56% dizem que são otimistas, seis pontos percentuais acima do que sucedia há seis meses). Ou seja, é mais um bom indicador para aferir de que a Uniºao está no momento certo para aprofundar a federalização.

O mercado único digital e a deslocalização das duas agências da UE instalas em Londres (a Agência Europeia de Medicamentos e a Autoridade Bancária Europeia) também estiveram no centro do debate do Conselho Europeu.

 

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