Consumo nos EUA desacelera crescimento e penaliza Wall Street

A pesar nos mercados norte-americanos está também o regresso do presidente da Fed ao Congresso. “O mercado está a fazer uma aposta antecipada que vai haver algum comentário hawkish que crie algum nervosismo”, considera Andre Bakhos.

Reuters

As principais bolsas norte-americanas abriram esta quinta-feira com perdas, penalizadas pela divulgação de dados do consumo e pela espera pela segunda ronda de questões do Congresso ao presidente da Reserva Federal norte-americana. Após fevereiro ter sido o pior mês em dois anos para Wall Street, março parece não começar com uma tendência muito diferente.

O índice industrial Dow Jones recua 0,48% para 24.908,38 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 perde 0,12% para 2.710,66 pontos e o tecnológico Nasdaq cede 0,41% para 7.243,15 pontos.

Esta manhã, foram conhecidos dados do consumo das famílias norte-americanas em janeiro, que registou o aumento mais pequeno em cinco meses, tendo avançado apenas 0,2%, abaixo da previsão dos economistas de 0,3%.

Os dados são especialmente importantes tendo em que foram as preocupações de Wall Street com a inflação que levaram a um mês de fevereiro turbulento para as bolsas e de subidas nas yields.

A expetativa era que o novo presidente da Fed, Jerome Powell, fosse ao Congresso e pudesse acalmar os mercados. Na primeira audiência, o posicionamento de Powell não foi especialmente tranquilizador e os mercados esperam agora pela segunda ronda de perguntas, que acontece ainda esta tarde para tentar perceber qual a posição do líder de política monetária quanto à subidas nas taxas de juro de referência para jogar com a inflação.

“O mercado está a fazer uma aposta antecipada que vai haver algum comentário hawkish que crie algum nervosismo”, afirmou Andre Bakhos, managing director da New Vines Capital LLC in Bernardsville, em declarações à agência Reuters.

O índice VIX, que mede a volatilidade no S&P 500, negoceia nos 20,90 pontos, o valor mais elevado em uma semana. O dólar segue a valorizar 0,16% contra o euro, nos 1,2173 dólares, enquanto as yields das Treasuries a 10 anos recuam 2,5 pontos base para 2,83%.

Ler mais

Relacionadas

Dupla de criadores do Spotify prestes a tornar-se bilionária

Daniel Ek, de 35 anos, não recebe salário (só bónus por objetivos cumpridos) e tem um contrato que apenas termina daqui a 30 anos. O empresário, que juntamente com Martin Lorentzon fundou o serviço de ‘streaming’ musical, está prestes a tornar-se bilionário.

Wall Street fecha em queda e fevereiro é já o pior mês desde 2016

O Dow Jones, no mês, perdeu mais de 1.000 pontos dos 26.149 pontos em que encerrou janeiro, uma queda de 4,3%. O S&P 500 deslizou 1,11% hoje e acumula uma queda de 3,9% este ano. Assim, ambos os índices encerraram seu pior mês desde janeiro de 2016.

Jerónimo Martins afunda 9% e arrasta bolsa de Lisboa para o “vermelho”

O PSI 20 está a desvalorizar 2,13% para os 5.351,93 pontos a meio da sessão. A reagir aos números divulgados ontem, Jerónimo Martins lidera as perdas, ao mergulhar 9,09%. As ações já valem menos de 16 euros.
Recomendadas

PSI 20 acompanha Europa em alta. Títulos do Grupo EDP impulsionam praça nacional

O principal índice bolsista português soma 0,46%, para 4.855,54 pontos.

Abrandamento da economia poderá ser entrave para Moody’s igualar as pares na avaliação de Portugal

A Moody’s tem agendada uma avaliação à notação da dívida soberana portuguesa esta sexta-feira. A agência poderá querer alinhar-se com a S&P e a Fitch através de uma subida de um grau para ‘Baa2’, mas as incertezas que estão a esfriar o crescimento da economia global poderão ser motivo para manter o ‘status quo’.

Acalmia cambial trouxe bons resultados em Wall Street

O índice tecnológico S&P, .SPL.RCT, que inclui empresas que têm uma maior exposição ao mercado chinês e estiveram no centro das vendas registadas na segunda-feira, foi aquele que mais valorizou nesta sessão, com um crescimento de 1,61%.
Comentários