Contabilidade, que futuro?

Para que sobrevivam, os profissionais de contabilidade devem assumir-se como fonte de informação essencial e aproximar-se da gestão e dos investidores ou financiadores.

Tal como a conhecemos, a Contabilidade enfrenta desafios importantes, uns novos, outros recorrentes. Por um lado, está em causa o futuro da profissão e, por outro, a forma como o principal sistema de informação económica empresarial irá evoluir.

A face mais tradicional da profissão de contabilista tem os dias contados, e não são muitos dias. No atual contexto tecnológico, apenas uma forte pressão da classe profissional pode manter o atual statu quo, mas sabemos que mesmo essas pressões estão condenadas a fracassar. O contabilista dos registos contabilísticos em breve será apenas uma referência histórica. A profissão é dominada por profissionais que despendem a quase totalidade do seu tempo no processamento contabilístico ou no cumprimento das obrigações fiscais.

Acredito que existirá uma substancial redução na procura deste tipo de serviços, com um impacto significativo na profissão. A luta pela sobrevivência da profissão vai ter, em Portugal, o fisco como aliado, como, de resto, já se sente atualmente. Com efeito, a redução da componente contabilística está a ser, e assim continuará nos tempos que se avizinham, compensada por um aumento da componente da fiscalidade. Mas por quanto tempo conseguirá, ou melhor, deverá a profissão sobreviver sob esta dependência?

Na minha opinião, o futuro da profissão pode (e deve) ser orientado para outros caminhos. Nem tudo são, por isso, más notícias. A tecnologia devolverá tempo aos profissionais que poderá ser usado em funções importantes para as empresas, funções essas que têm sido bastante descuradas.

Como consequência deste novo paradigma, considero que a Contabilidade enfrenta importantes desafios. Até à próxima inevitável crise financeira a Contabilidade vai ser atacada, com grande probabilidade, pelo argumento recorrente da irrelevância da sua informação. Ironicamente, este ataque faz sentido, mas pelos motivos errados.

Ao contrário do argumento comum de que a Contabilidade se limita a apresentar informação financeira histórica, os valores expressos no balanço são estimativas prudentes sobre o futuro e não meros números históricos. O risco da eventual irrelevância da informação surge antes do crescente desfasamento entre o atual normativo e uma nova realidade empresarial.

A Contabilidade precisa de se adaptar a um ambiente de negócios que apresenta novos desafios, nomeadamente:

1. uma significativa mudança nos modelos de negócio, por exemplo, em que as parcerias empresariais estabelecidas sob forma de mera cooperação são cada vez mais comuns e relevantes para a criação de valor e ignoradas pela contabilidade;

2. uma crescente relevância da comunicação da estratégia empresarial, que passa a assumir um papel central na comunicação com atuais ou potenciais investidores e que, atualmente, é ignorada pelo relato financeiro;

3. um ambiente de negócios disruptivo, onde a inovação é o determinante principal da sustentabilidade e largamente ignorada pelo normativo vigente;

4. as novas metodologias de comunicação da informação – por exemplo o Relatório Único – e a crescente relevância de outros tipos de informação, tal como a obrigatoriedade de divulgação de informação não financeira; e

5. uma maior facilidade de as startups chegarem aos financiadores. As self-funded ou lightly-funded startups lideram uma, aparentemente, inesgotável onda de startups baseadas na inovação, acompanhadas por novas formas de financiamento, estruturalmente diferentes dos mercados tradicionais como, por exemplo, o crowdfunding.

Em bom rigor, não considero que este papel seja novo, mas tem sido descurado por uma profissão que preferiu crescer pela quantidade e não pela qualidade. A Contabilidade irá aproximar-se da gestão e dos stakeholders, assumindo-se como fonte de informação essencial. Para que sobrevivam, os profissionais de contabilidade devem seguir esse caminho e aproximar-se da gestão e dos investidores ou financiadores.

Para tal, precisam de munir-se de novas ferramentas técnicas e científicas, devendo as escolas assumir a liderança desta mudança, alargando, por exemplo, as áreas de formação. Especificamente, o ensino da Contabilidade deve ser reforçado com as componentes de controlo de gestão, estratégia, governo societário, finanças empresariais e avaliação de empresas.

Concomitantemente, impõe-se que os profissionais de Contabilidade sejam agentes de mudança e de formação neste novo paradigma, designadamente de proximidade à gestão, realçando, permanentemente, o poder da informação e fazendo, eles próprios, uso desta no desempenho das suas funções, as quais, argumento, devem ir muito além dos registos contabilísticos e do cumprimento das obrigações fiscais.

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