Contabilistas são “arquitetos dos sistemas contabílisticos”

A par da revolução digital em curso, a formação e a necessidade premente de atualização dos seus conhecimentos num contexto de globalização, são os principais desafios que se colocam, a curto e médio prazo, ao setor da Contabilidade em Portugal.

Questionado sobre os grandes desafios que se colocam ao setor e aos seus profissionais, Rui Almeida (ISCAL) considera que, a curto e médio prazo, se prendem “com a forma como os profissionais estarão na profissão”.

Na sua ótica, com o evento da informatização, os profissionais “passaram a ser mais uns ‘arquitetos’ de sistemas contabilísticos”. E nesta qualidade, a maior preocupação destes profissionais será “a estruturação da organização contabilística arquitetando a forma como a informação é obtida, trabalhada e apresentada para os vários utilizadores e a necessidade de absorção da crescente complexidade dos factos e transações que são a base da sua atividade, ou seja, a necessidade de compreender a cada momento esses factos e transações e a sua transformação em informação contabilística”.

Tanto para Olímpio Castilho (ISCAP) como para Francisco Picado (ISCA –UA)o principal desafio é a formação.
Ou seja, como destaca Olímpio Castilho, a “permanente formação pessoal e profissional”, para que “possam responder aos obstáculos com que diariamente são e serão confrontados, nomeadamente os que decorrem das alterações da política fiscal das empresas, num mundo globalizado e cada vez mais tecnológico”.

Contudo, Francisco Picado não deixa de recordar que “ é próprio da profissão a adaptação permanente às inúmeras alterações legais e fiscais”. E para tal, os profissionais contam com formação constante e estruturas de apoio ao setor. “Estes mecanismos são muito facilitadores, credíveis, e formam uma rede que sustenta a compatibilização das competências profissionais a uma realidade que é muito dinâmica”, reforça.

À formação, Francisco Picado junta ainda o desafio da qualificação de profissionais, a qual deverá  atentar à acomodação das normas do setor público; e, integrado na missão das escolas de formação superior, o desafio de preparar profissionais como assessores, “intérpretes das reais necessidades das organizações, com competências para ampliar o potencial da contabilidade como mecanismo de influenciar a tomada de decisões aos vários níveis organizacionais”, conclui.

Evolução ao ritmo da revolução digital
A revolução digital está já a alterar “de forma significativa” a forma como os profissionais encaram a sua atividade e até como a vivem. Deixaram de estar centrados na análise, organização e registo dos factos contabilísticos e passaram a ser “organizadores do sistema contabilístico”.

Nesta nova realidade, as faturas e outros documentos foram desmaterializados e sem a necessidade de se ocupar da sua organização física, passou a focar-se na forma como organiza essa informação automaticamente.
Os especialistas ouvidos garantem que a Contabilidade sempre procurou acompanhar a evolução da humanidade e, por isso, a “revolução digital” é um desafio mas é também uma oportunidade. Com o acesso facilitado à informação, o processo contabilístico torna-se mais célere e, por conseguinte, o relato financeiro poderá ser mais oportuno na tomada de decisão.
Assim, não tendo dúvidas de que a revolução digital “foi incorporada rapidamente por todos os intervenientes”, não deixam de salientar as alterações na esfera pública, nomeadamente na alteração da relação entre a administração pública e os cidadãos, bem como entre o Estado e os contabilistas.

Dois dos exemplos apontados para ilustrar o peso das tecnologias de informação e comunicação neste setor são o site da Autoridade Tributária e Aduaneira, e todas as mais-valias que trouxe à forma como os processos são executados, assim como a introdução de mecanismos de implementação de inventário permanente, com exigência de alterações na gestão da política de stocks através do recurso a sistemas tecnológicos.

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