Contas das papeleiras portuguesas beneficiam da subida dos preços

Se a Navigator e a Semapa têm brilhado no PSI 20, a estrela é a Altri, que acumula já um ganho de 70% este ano. As três representantes do papel e pasta de papel no índice apresentam contas esta semana que deverão continuar a gerar ganhos.

As cotadas portuguesas do setor do papel e da pasta do papel deverão ter beneficiado da subida dos preços das matérias-primas ao longo do segundo trimestre do ano. Navigator e Altri apresentam resultados esta semana e as estimativas dos analistas do BiG – Banco de Investimento Global é de aumentos nas vendas e lucros.

“A subida nos preços da pasta, que levaram a um rally da Altri, pareceu-nos exagerada já que é esperada uma correção no preço da pasta. O preço do papel, por outro lado, ainda tem espaço para crescer”, explica a análise do banco de investimento sobre a tendência no setor.

A primeira empresa do segmento a apresentar contas é a Navigator, já esta quarta-feira, antes da abertura do mercado. O BiG antecipa um aumento de 15% nas vendas no segundo trimestre face ao anterior, para 441,6 milhões de euros. “Em relação ao preço do papel, esperamos ver já um impacto positivo do recente aumento do preço implementado pela Navigator refletido no preço médio de venda, que esperamos que tinha sido próximo de 817 euros por tonelada”, refere.

O lucro terá sido de 68,4 milhões de euros, mais 28,6% que os 53,2 milhões do primeiro trimestre. O EBITDA – resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização – terá subido 9,8% para 121,8 milhões.

Valorização no PSI 20 não está próxima do fim

A empresa liderada por Diogo da Silveira tem sido uma das que mais valoriza em bolsa este ano. As ações da Navigator acumulam já um ganho de 17,3% para os atuais 4,98 euros. Já a Semapa, holding industrial que detém a Navigator e a cimenteira Cecil, acumula um ganho de 18,85% para 21,15 euros, em bolsa e irá apresentar contas na próxima sexta-feira.

A expetativa do BiG é que a Navigator continue, ao longo do verão, a implementar subidas nos preços e que a tendência das ações se mantenha, atribuindo um potencial de valorização aos títulos de 25,7%.

Graças à subida nos preços do papel e tissue de 7%, anunciada pela empresa, aliada a novos projetos que levaram a um crescimento na produção, o BiG antecipa que as ações cheguem aos 6,27 euros, “com o mercado a incorporar o aumento das receitas e de cash flow“. Ao longo deste ano, esperam que a capacidade de produção da Figueira da Foz e da Cacia continuem a crescer.

“O principal risco para a Navigator é um aumento na oferta de pasta num mercado em que pressione os preços da pasta e, consequentemente, do papel”, explicam os analistas. “Além disso, se a empresa não for capaz de concordar com os fornecedores os aumentos dos preços, terá um impacto negativo nas nossas estimativas de receitas”.

Lucro da Altri terá subido 34% no segundo trimestre

Se a Navigator e a Semapa têm brilhado no PSI 20, a estrela é a Altri. A empresa liderada por Paulo Fernandes e João Borges de Oliveira disparou mais de 70% no acumulado do ano, para 8,81 euros por ação, graças ao aumento do preço da pasta de papel, bem como a vários negócios que agitaram o setor a nível internacional.

“Embora tenha havido uma redução das receitas devido à menor produção no primeiro trimestre, o aumento nos preços compensou esse efeito, levando a uma queda apenas marginal nas receitas em relação ao último trimestre de 2017 e a um aumento de 8,5% face ao mesmo período do ano anterior”, refere o BiG.

Em relação ao segundo semestre do ano, a expetativa do BiG é que a produção na Celtejo volte aos níveis normais, uma vez que as restrições ambientais foram levantadas após a empresa ter renovado com sucesso a licença necessária.

Com o índice de preços de celulose já em 1.050 dólares por tonelada, os analistas antecipam um aumento de 11% nas receitas do segundo trimestre para 192,9 milhões de euros. Já o EBITDA deverá atingir os 71,6 milhões de euros (mais 13,1% que no primeiro trimestre) e o lucro líquido, 43,8 milhões de euros (mais 34,3%). O capex deverá manter-se em torno dos 20 milhões de euros no último trimestre.

Preço da pasta corrige a partir de 2019

“O principal risco para a Altri é uma alteração no preço da pasta, que inclui também o risco de alterações no euro/dólar, uma vez que o índice é cotado em dólares e a Altri reporta em euros”, explicam os analistas do BiG, que apontam para que o valor da matéria-prima comece a descer no próximo ano e que registe uma diminuição de 2% entre 2019 e 2022.

Devido ao forte impacto do preço da pasta de papel na avaliação do título, o BiG tem uma recomendação de ‘vender’ e atribui um preço-alvo de 6,36 euros às ações, ou seja, com um potencial de desvalorização de 27,8%.

Apesar disso, os analistas do banco de investimento antecipam que o dividendo pago pela Altri suba de 0,30 euros este ano, para 0,325 euros em 2019 e 0,35 euros de 2020 a 2022. O valor representa uma distribuição de uma média de 69 milhões de euros por ano e um dividend yield acima de 5% (tendo por base o preço-alvo).

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