Covfefe p’ra ti também

Com isto, Trump indica ao mundo que despreza o ser humano por princípio e que não está para se aborrecer com as vidinhas curtas que sobrevivem à sua volta.

Há um lado niilista na forma como o presidente Donald Trump usa a sua conta do Twitter – o que poderia ser, pelo menos em teoria, interessante. Mas para isso, Trump teria de estar por dentro do conceito de niilismo, o que é altamente improvável, dada a sua mais que provada falta de preparação livresca.

Resta por isso a outra hipótese: a de Trump estar a substituir a diplomacia tradicional por mensagens numa rede social apenas por desprezo para com os líderes mundiais a que eles se referem ou para quem eles são dirigidos. Essa arrogância intolerável já seria má se vinda da parte do governador de uma cidade qualquer perdida no mapa – Paris, Texas, por exemplo.  Mas, vinda do dirigente máximo da maior economia do mundo, ganha uma dimensão extraterrestre.

Com isto, Trump indica ao mundo que despreza o ser humano por princípio e que não está para se aborrecer com as vidinhas curtas que sobrevivem à sua volta. Qualquer decisão que tome não leva em linha de conta o bem comum ou outro bem qualquer que ele seja, mas tão somente o seu estado de espírito em tempo real, ao momento.

Trump dá por isso mostras de ser um colérico, o que só seria mau para a saúde dos seus próprios filhos se não se desse o caso de ter em cima da sua secretária, onde todos os dias faz de conta que produz alguma coisa de útil, o botão vermelho que serve para disparar misseis nucleares: se acordar mal-disposto, é possível que esse dia não chegue ao fim para toda a gente. Salvo melhor opinião, o episódio do covfefe – uma espécie de palavra truncada que Trump deixou num dos seus últimos tweets – parece o resultado literário de um bêbado a brincar com as teclas de um computador.

Tudo isto no final de uns dias pungentes, em que o presidente dos Estados Unidos tratou pela via das redes sociais temas tão despiciendos como a permanência do seu país no perímetro do Acordo de Paris sobre alterações climáticas e a necessidade de a Europa repensar a sua posição estratégica em termos de defesa militar comum. Nada, pelos vistos, que da parte do presidente dos Estados Unidos mereça mais que um tweet como resultado da reflexão política que terá feito sobre as duas matérias. Covfefe para ti também, pá.

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