Crédito Agrícola recusou proposta do Montepio para se juntarem

“Se quiserem um banco da economia social, têm-no aqui. Somos o banco mais próximo das populações, com a maior rede [de agências], estamos sozinhos numa série de localidades”.

 O presidente do Crédito Agrícola disse hoje que o grupo foi sondado, mas nunca esteve interessado em juntar-se ao Montepio numa ‘holding’ bancária e considerou que o Crédito Agrícola já cumpre a função de banco da economia social.

“Não sei o que é isso. Se quiserem um banco da economia social, têm-no aqui. Somos o banco mais próximo das populações, com a maior rede [de agências], estamos sozinhos numa série de localidades. Se há problemas noutro banco e à capa do nome de banco da economia social se quiserem constituir um banco para a economia social, pois que constituam, mas não contem connosco”, afirmou hoje Licínio Pina, na apresentação de resultados do grupo, em Lisboa.

O responsável tinha sido questionado sobre a intenção manifestada pelo presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Tomás Correia, de criar um banco para economia social, através da entrada de várias misericórdias no capital da Caixa Económica Montepio Geral.

Sobre este tema, Licínio Pina considerou ainda que “as misericórdias não têm vocação para ter participação financeira em bancos”.

“Qualquer outro investimento fica à responsabilidade de quem o faz e terá de apreciar e responder por ele mais tarde”, acrescentou.

Licínio Pina falou ainda sobre as abordagens que lhe foram feitas sobre pessoas ligadas à Associação Mutualista Montepio Geral para que o Montepio e Crédito Agrícola se juntassem numa ‘holding’ designada por banco da economia social, tendo dito que pôs imediatamente de parte essa ideia.

“A ideia que me era apresentada era a de constituir uma ‘holding’ em que as contas dos dois grupos consolidariam nessa ‘holding’ e reportaria ao regulador em consolidado, era essa a ideia e que não teve acolhimento nenhum da nossa parte”, afirmou.

Ainda segundo o responsável, nessas conversas era-lhe dito que essa era também a “vontade das altas instâncias do país”.

“Se era verdade não faço ideia”, disse.

De pessoas do Governo, afirmou que não houve conversas consigo sobre o tema: “O Governo diretamente não”.

Quanto ao Banco de Portugal, falou numa “abordagem muito ténue”.

Sobre o objetivo de unir os dois grupos financeiros, Licínio Pina disse apenas que o que lhe era falado era “criar sinergias”.

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