Cresce a contestação ao acordo de Theresa May com o DUP

O partido irlandês, que chegou a ser responsável pela formação de grupos paramilitares, conseguiu um pacote de mil milhões de libras para infraestruturas. Escócia e Pais de Gales querem um igual.

A solução encontrada pela primeira-ministra Theresa May para formar um governo – depois de ter perdido a maioria absoluta na sequência das eleições antecipadas deste mês – está a ser contestada pelos mais diversos setores, colocando em causa a estabilidade política do país.

Desde a primeira hora que o acordo entre os Conservadores e o Partido Unionita Democrático (DUP) foi alvo de diversas críticas: Theresa May foi acusada, logo nos dias seguintes às eleições, de procurar um acordo com um partido mais ou menos obscuro. Engajado nos segmentos mais retrógrados da igreja protestante, o partido foi criado em 1971 por um protestante fundamentalista, Ian Paisley, que também fundou a Igreja Presbiteriana do Ulster. Para além da ‘agenda’ tradicional conservadora – o partido à antiaborto, anti-casamento de pessoas do mesmo sexo e eurocético – nos anos 80, o DUP esteve envolvido na criação de grupos paramilitares (o ‘Terceira Força’ e o ‘Resistência do Ulster’) que semearam o caos entre os nacionalistas e perturbaram as negociações entre a Irlanda e a Inglaterra.

Vários elementos do próprio partido de Thersa May mostraram-se desde a primeira hora pouco confortáveis com as negociações para um acordo com o DUP. O resultado foi o arrastar dessas negociações – que só acabaram ontem e que, segundo vários analistas, demoraram tanto porque os Conservadores quiseram seguir de perto o seu andamento. Ou seja, Theresa May parece não ter tido carta-branca dos Conservadores para ser a única a ‘mandar’ nas negociações.

Mas, uma vez conseguido o acordo, a contestação não acabou. Segundo a imprensa britânica, o acordo provê que o governo central invista, nos próximos dois anos, uma verba próxima dos mil milhões de libras na Irlanda do Norte, quase tudo destinado a infraestruturas. Resultado: os responsáveis políticos do País de Gales e da Escócia – que há anos se queixam de um subfinanciamento crónico das suas regiões – vieram rapidamente a público para se queixarem do acordo.

O primeiro-ministro de Gales, Carwyn Jones, afirmou ao jornal ‘The Guardian’ que o acordo “É escandaloso”. “A primeira-ministra acha que pode assegurar o seu próprio futuro político atirando dinheiro para a Irlanda do Norte enquanto ignora completamente o resto do Reino Unido”, disse.

Ao mesmo tempo, o líder parlamentar dos nacionalistas escoceses (SNP) no parlamento inglês, Ian Blackford, afirmou que “os Conservadores andam há anos a cortar orçamentos e serviços, mas de repente encontraram dinheiro suficiente para os ajudar a manterem-se no poder”.

Como não podia deixar de ser, os Trabalhistas foram rápidos em dar razão aos protestos regionais. O seu líder Jeremy Corbyn, questionou o novo governo sobre se Gales e a Escócia também vão ser contemplados com um pacote financeiro idêntico. E como isso não vai por  certo acontecer, Corbyn conclui, citado por vários órgãos de informação, que o acordo não serve os interesses do país, mas unicamente os de Theresa May.

Para alguns analistas, a onda de contestação não vai parar por aqui. E, por isso, a juntar a alguma falta de consistência política patenteada por Theresa May, o novo governo – que não terá nada que se assemelhe com o chamado ‘estado de graça’ – pode ter arranjado, com o acordo, uma forma de aumentar ainda mais a instabilidade que se vive desde o dia das eleições antecipadas.

Ler mais
Recomendadas

“Que Deus abençoe a memória daqueles em Toledo”. Trump engana-se no nome da cidade do massacre no Ohio

O presidente norte-americano referiu-se referiu a Toledo, e não a Dayton, nas suas observações sobre um dos recentes massacres onde morreram nove pessoas e outras 27 ficaram feridas.

A “Casa de Papel” na vida real: Assalto à Casa da Moeda do México leva dos cofres 50 milhões em menos de 4 minutos

Os assaltantes conseguiram desarmar um guarda e furar todas as barreiras de segurança até chegarem ao cofre de segurança, que estaria aberto. Em menos de quatro minutos, o grupo de homens roubou e fugiu do edifício sem que a polícia tivesse sequer chegado.

Japão testa drones que transportam pessoas para diminuir o trânsito

Os responsáveis pelo projeto apontam que os drones tripulados poderão ser uma solução para combater o trânsito: “O Japão é um país com uma densidade populacional muito elevada, e como tal, carros voadores poderão ser a solução para diminuir o trânsito no país”.
Comentários