Crise na Venezuela pode (sem intenção) equilibrar o mercado petrolífero

“Entre os países da OPEP, o maior fator de risco é, e provavelmente continuará a ser, a Venezuela”, indicou um relatório da Agência Internacional de Energia. Devido à crise económica, as estimativas apontam para uma redução ainda maior da capacidade de produção do país.

REUTERS/Nick Oxford

A produção de petróleo na Venezuela pode cair a pique devido à crise económica no país, de acordo com o relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado esta quinta-feira. O aumento da produção em países fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), poderá assim ser compensado inadvertidamente pela Venezuela.

As principais tendências que vão determinar o equilíbrio do mercado petrolífero apontadas pela AIE são o aumento da produção nos EUA, devido ao petróleo de xisto, e o crescimento da procura. O relatório da agência indica ainda que a Venezuela está em risco de uma maior desaceleração da produção de petróleo bruto.

“Entre os países da OPEP, o maior fator de risco é, e provavelmente continuará a ser, a Venezuela. As nossas estimativas para fevereiro mostram novamente uma redução da produção em 60 mil barris por dia”, refere o relatório.

Nos vinte anos desde que o ex-presidente Hugo Chávez chegou ao poder, a produção de petróleo foi reduzida para menos da metade (1,5 milhões de barris por dia). As estimativas da AIE indicam que a capacidade caia em quase 700 mil barris por dia até 2023, o que levaria a Venezuela a produzir menos de um milhão de barris por dia.

A redução na produção venezuelana poderá ser determinante para impedir um forte crescimento da oferta e dos stocks globais de petróleo. A questão é especialmente relevante tendo em conta que há mais de um ano que os países da OPEP e outros parceiros externos têm em vigor um acordo de cortes na produção que visa travar o excesso de oferta e conduzir a um aumento gradual dos preços da matéria-prima.

Esta quinta-feira, após a divulgação do relatório, o preço do barril de crude WTI sobe 0,62% em Nova Iorque para 61,34 dólares, enquanto o de brent avança 0,57% para 65,26 dólares.

A agência reviu ligeiramente em alta as previsões sobre a procura mundial de petróleo para este ano, que se situam nos 99,3 milhões de barris diários. O valor significa mais 1,5 milhões de barris diários que em 2017 e mais 90 mil do que as estimativas de fevereiro. O aumento é explicado por um consumo superior ao esperado pelos países da OCDE, com destaque para a Polónia, Turquia, Estados Unidos e Japão.

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