Curdos sentem-se novamente abandonados pelo Ocidente

Depois da guerra contra o auto denominado Estado Islâmico, a nação curda voltou a ser esmagada pela Turquia, desta vez em Afrin. Mais uma vez, sentem-se abandonados pelo Ocidente.

Recep Tayyip Erdogan

No norte da Síria, os curdos vencidos em Afrin pelas forças turcas estão a preparar-se para a possibilidade de novos ataques organizados por Ancara – depois de terem passado vários anos a lutar contra a organização do Estado islâmico na Síria. “Eles estão furiosos por terem sido abandonados pelos seus aliados ocidentais e denunciam uma limpeza étnica a que o mundo assiste como um espectador”, refere um repórter do jornal francês “Le Monde”, que esteve a acompanhar a evolução das forças no terreno.

Não era nada disso que os curdos estavam à espera. Desde logo porque para derrotar o Daesh a coligação internacional dependia quase exclusivamente de forças curdas sírias, que formam a espinha dorsal das Forças Democráticas da Síria (SDF) – que, a partir de Rakka, assumiram o controlo de grandes áreas no nordeste da Síria.

No meio da guerra, não era altura para o Ocidente se preocupar com as ligações entre o SDF e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que Ancara considera terroristas – o que levou a que a NATO, os Estados Unidos e a União Europeia façam o mesmo – mas sem grande motivação, como se queixou recentemente o embaixador da Turquia em Portugal, em entrevista ao Jornal Económico.

Mas o fim do conflito com o Daesh, recorda o repórter Allan Kaval, veio precipitar tudo. Ancara considera o SDF como uma espécie de extensão de uma organização terrorista, o PKK, enquanto a coligação internacional, apedar de vinculado a uma aliança com a Turquia, considera-os como os únicos parceiros confiáveis ​​contra o Daesh e uma força capaz de induzir a estabilização do nordeste da Síria.

Mas o Ocidente fez muito pouco. Depois da tomada de Afrin pelo exército turco, os Estados Unidos expressaram a Ankara a sua “profunda preocupação” com a situação no terreno, ao mesmo tempo que Jean-Yves Le Drian, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, disse que “as legítimas preocupações da Turquia sobre a segurança das suas fronteiras não devem conduzir a uma presença militar em profundidade no território sírio”.

Como salienta o jornalista do “Le Monde”, o Ocidente – dado ser parceiro da Turquia na NATO – não pode avançar no apoio ao SDF, nem às Unidades de Proteção do Povo (YPG), grupo igualmente curdo que também tomou parte muito ativa no combate ao Daesh.

Mas Allan Kaval chama a atenção para um ponto importante: “A liderança política das forças curdas da Síria e seus aliados não-curdos dentro das estruturas políticas estabelecidas nos territórios que controlam não aspiram a nenhuma independência. Na verdade, as áreas em questão são misturadas e os curdos são apenas um dos componentes. As estruturas políticas por trás das forças curdas defendem a ideia de uma forma de descentralização no quadro sírio, que não se basearia na etnia, mas na situação geográfica – correspondendo ao nordeste Síria.

Mesmo assim, o “Le Monde” considera que não há, pelo menos no curto prazo, qualquer intenção turca de anexar a região de Afrin. Mas o certo é que a influência da Turquia na região – balizada pelas cidades de Azaz, Al-Bab, Djarabulus e Afrin – faz-se sentir de forma evidente. Kaval conta que existe um serviço postal turco na região, a língua turca é usada na fachada de alguns edifícios públicos, as forças policiais foram treinadas pela polícia turca e a economia do território está cada vez mais ligada à Turquia.

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