DCIAP tem fichas de 24 grandes empresários e gestores com ligações a Angola

As fichas individuais resultaram de um dos processos de investigação a altas personalidades de Angola e envolvem nomes como Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, António Mexia, Paulo Azevedo e Ângelo Correia.

Rafael Marchante/Reuters

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) elaborou fichas individuais de 24 banqueiros, empresários e gestores, que têm ou tiveram parcerias com empresas angolanas. As fichas individuais resultaram de um dos processos de investigação a altas personalidades de Angola e envolvem nomes como Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, António Mexia, Paulo Azevedo e Ângelo Correia, avança o jornal “Correio da Manhã”.

Segundo o jornal, Adriano Parreira, antigo diplomata angolano, foi o autor da denúncia que deu origem ao inquérito no qual foram elaboradas as fichas. A denúncia, feita em 2011, teve como alvos o general angolano Hélder Vieira Dias e Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, antigo presidente de Angola e pedia às autoridades que fossem investigadas também as parcerias entre empresas angolanas e portuguesas detidas por importantes personalidades dos dois países.

Os documentos foram elaborados pela Unidade de Análise de Informação (UAI) durante o decurso do inquérito, entretanto, arquivado em novembro de 2013. Neles constam informações específicas, como o nome do próprio e dos pais, data de nascimentos, número de contribuinte e a identificação de comunicações de alertas bancários que tenham sido feitos ao DCIAP por instituições financeiras, no âmbito do combate ao branqueamento de capitais.

O ‘CM’ nota que, na altura, cinco das 24 personalidades ‘fichadas’ tinham sido identificados processos administrativos e criminais. Foi o caso de António Mexia, presidente da EDP, que estava a ser investigado pelas rendas energéticas (CMEC) pagas à empresa que lidera. O mesmo aconteceu com Fernando Ulrich, presidente do BPI; João Caiado Guerreiro, advogado; Homero Coutinho, ex-responsável do angolano Banco de Negócios Internacional (BNI) Europa e do BESI; e Ana Bruno, advogada conhecida pelas ligações profissionais a Álvaro Sobrinho e Hélder Bataglia.

Contactada pelo jornal, a Procuradoria-Geral da República não prestou qualquer esclarecimento sobre a situação atual destes processos.

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