Desvalorização de mais de 5% da Pharol marca sessão na bolsa. Europa continua mista

A Pharol é a cotada que mais perde no índice, estando a registar uma queda de 5,56% para 0,212 euros. Steven Santos, gestor do BiG, explica que a empresa está a ser penalizada “pela disputa com a [empresa de telecomunicações brasileira] Oi”.

Reuters

A bolsa nacional está esta quarta-feira, dia 7 de março, a negociar, a meio da sessão, em terreno negativo, numa altura em que as praças europeias estão mistas. O principal índice português, PSI 20, recua 0,34%, para 5.336,08 pontos, pressionado pelas desvalorizações da Pharol e do BCP.

A Pharol é a cotada que mais perde no índice, estando a registar uma queda de 5,56% para 0,212 euros. Steven Santos, gestor do BiG, explica que a empresa está a ser penalizada “pela disputa com a [empresa de telecomunicações brasileira] Oi”. O regulador brasileiro impediu a Oi de concretizar o aumento de capital, tal como a Pharol tinha defendido.

No entanto, a empresa brasileira insiste na concretização do aumento de capital, que considera “um dos itens fundamentais ” previsto no plano de recuperação judicial da empresa, o que está a pressionar o desempenho da cotada. “A Pharol não quer ver diluída massivamente a sua participação na empresa brasileira”, afirma Steven Santos.

A Novabase é também uma das cotadas que mais desvaloriza. A empresa presidida por Luís Paulo Salvado perde 3,45% para 2,800 euros, depois de ter sido anunciada esta terça-feira a sua saída do PSI 20. A gestora do mercado de capitais português, Euronext, anunciou que a empresa vai ser substituída pela F. Ramada, uma empresa de aços, armazenagem e ativos florestais. A mudança deverá ser efectivada no dia 19 de março.

Os CTT, que esta quarta-feira apresentam resultados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), recuam 1,73% para 3,172 euros. Os analistas do Caixa BI estimam que a empresa tenha registado uma descida de 50% nos lucros para 30,6 milhões de euros. No quarto trimestre do ano passado, a empresa terá registado uma queda de 30,8% face ao ano anterior.

Já o BCP continua a recuar 1,73% para 0,290 euros. Steven Santos explica que a cotada está “a acompanhar a tendência do setor bancário na Europa”, que tombou com os resultados das eleições legislativas em Itália, que deram vitória ao partido antissistema Movimento Cinco Estrelas.

Ao mesmo tempo, o setor está a ser afetado pelo pedido de demissão apresentado por Gary Cohn, o principal assessor económico do presidente norte-americano, Donald Trump. “Gary Cohn era a principal força liberal contra a tendência protecionista de Donald Trump”, afirma o gestor do BiG. “O anúncio veio afetar sobretudo o setor da banca, que é mais sensível ao crescimento económico”, acrescenta.

Em terreno negativo estão também a Galp Energia (-1,05%), a EDP Renováveis (-0,07%), a Corticeira Amorim (-0,60%), a Sonae Capital (-2,07%) e a Altri (-0,54%).

A negociar em contraciclo destaca-se a Mota-Engil, que soma 1,60% para 3,810 euros. A empresa continua a tendência de ganhos registada nas últimas sessões. “A Mota-Engil encontrou resistência em torno dos 4,17 euros e está a prolongar uma série de ganhos, o que revela um desempenho em bolsa muito forte”, afirma Steven Santos.

No ‘verde’ estão ainda a EDP (0,78%), a Jerónimo Martins (0,50%), a Sonae (0,52%), a NOS (0,12%), a REN (0,41%), a Semapa (0,64%) e a Navigator (0,14%).

As restantes praças europeias negoceiam mistas. O índice alemão DAX soma 0,58%, o francês CAC 40 sobe 0,34%, o britânico FTSE 100 avança 0,18%, o holandês AEX aprecia 0,43% e o italiano FTSE MIB ganha 0,92%. Em sentido contrário, o espanhol IBEX 35 desvaloriza 0,07%.

“As bolsas europeias estão muito centradas e as quedas são inferiores a 1%”, afirma Steven Santos. “Os futuros do S&P 500 estão em queda, o que indicia um abertura de Wall Street em queda”.

No mercado petrolífero, o Brent cai 0,24% para os 65,63 dólares por barril e o crude WTI desvaloriza 0,42% para os 62,34 dólares.

No mercado cambial, o euro valoriza 0,06%, para 1,241 dólares e a libra recua 0,19%, para 1,386 dólares. “O enfraquecimento do dólar pode vir a ser uma tendência exacerbada, tendo em conta que Donald Trump dá sinais de querer manter a guerra comercial, com a imposição de taxas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio”, explica Steven Santos. “Esta iniciativa pode vir a prejudicar os Estados Unidos tem em conta que se trata de uma economia aberta e deficitária, muito dependente do financiamento externo”, acrescenta.

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