Digitalização: as empresas têm de olhar para as pessoas

A Transformação Digital não é só tecnologia e aceleradores, inteligência artificial, robótica e Internet of Things. A transformação digital é também as pessoas: colaboradores, consumidores ou fornecedores das empresas. O cliente é o centro do novo paradigma que já chegou.

“A digitalização da economia está mesmo a acontecer”, vinca Pedro Faustino, executive director da Axians. Tal como as anteriores revoluções, explica, “vai alterar profundamente todos as dimensões da sociedade”, desde “as organizações às nações, passando pela forma como nós, humanos, vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros”. Mas, ao contrário das anteriores revoluções, esta vai ser muito mais rápida. “A revolução digital vai demorar apenas alguns anos”, o que obriga estados, decisores e empresas a um esforço sem precedentes para apanhar o comboio em movimento. “O caminho para a competitividade dos negócios passa inevitavelmente pela implementação de processos inovadores, colaborativos e ágeis, ou seja, pela sua transformação digital, adaptando a cada realidade novos conceitos como o da inteligência artificial, “cloud computing”, “big data”, Internet of Coisas, realidade aumentada, robótica”, diz João Mira Santiago, CEO da Bizdirect.

A um país pequeno como Portugal, com uma grande parte da população sem grandes qualificações e um tecido empresarial feito de pequenas e médias empresas (PME), uma tipologia de empresa com estratégias, desafios e oportunidades muito específicos, a transformação digital coloca problemas muito complexos e concretos. “À medida que a tecnologia evolui, verifica-se que muitas empresas não investiram na sua própria evolução tecnológica, existindo um gap entre o desenvolvimento tecnológico e as tecnologias utilizadas pelas empresas. Mas o maior desafio é mesmo o humano”, avança Rita Mourinha, responsável da Seresco em Portugal. A fraca aposta nas capacidades tecnológicas dos colaboradores, que devem ser educados para novo paradigma digital é, segundo esta especialista, um desafio. Um desafio, que, bem vistas as coisas, constitui uma oportunidade de “capacitar e melhorar os colaboradores”.

Além dos recursos humanos, as empresas enfrentam, o desafio do mercado, como sublinha Fernando Reino da Costa, CEO da Unipartner IT Services: “O desafio advém da reação cada vez mais rápida do mercado, pois a concorrência está a fazer o mesmo, assim como os entrantes que, não tendo legado, são desde logo mais ágeis e mais digitais no seu modelo de negócio”.

Outro estímulo é o da crescente conectividade que se traduz na geração de cada vez maiores quantidades de dados. “Transformar os dados em modelos de negócio e em valor real para os clientes é seguramente uma das maiores oportunidades desta nova economia”, vinca Salomé Faria, diretora de Comunicação da Siemens Portugal.

Para as empresas, nomeadamente as situadas em mercados periféricos como Portugal é ainda, segundo Tiago Fonseca, sales diretor na Syone, a oportunidade de “chegar a mercados onde, de outra forma, não chegariam tão rápida e eficientemente”. Seja como for, com a marcha tão acelerada já, o maior risco da transformação digital é mesmo, segundo Pedro Faustino, o de não a fazer…

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