Dinheiro: As reformas do Papa Francisco no Banco do Vaticano

Assim que foi eleito, o Papa Francisco ordenou uma investigação interna ao funcionamento do banco do Vaticano, envolvido numa série de processos de lavagem de dinheiro.

Existem mais de mil milhões de Católicos em todo o mundo, mas 840 deles vivem num pequeno espaço de 0,44 quilómetros quadrados, a dimensão da cidade do Vaticano. Em 2014, o Papa Francisco promoveu uma reforma do funcionamento do banco do Vaticano. Nessa altura, o banco anunciou que “o santo padre aprovou uma proposta sobre o futuro do Instituto das Obras Religiosas [designação oficial do banco] e reafirmou a importância da sua missão para o bem da Igreja Católica, da Santa Sé e do Estado do Vaticano”. O banco, lia-se no comunicado divulgado, “continuará a sua atividade com prudência, trabalhando para providenciar serviços financeiros especializados à Igreja Católica em todo o mundo”.

Assim que foi eleito, o Papa argentino ordenou uma investigação interna ao funcionamento do banco, envolvido numa série de processos de lavagem de dinheiro. Entretanto, alterou a estrutura de supervisão das atividades financeiras e administrativas do Vaticano.

O próprio banco iniciou várias investigações às suspeitas de atividades ilícitas. Um dos maiores escândalos aconteceu em 1982, quando o IOR se viu envolvido na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, cujo presidente, Roberto Calvi, apareceu enforcado debaixo de uma ponte em Londres. Em maio do ano passado, a Autoridade de Informação Financeira (AIF), que rastreia as transações suspeitas no Banco do Vaticano, entregou um total de 22 ‘dossiers’ ao procurador do Vaticano em 2016, anunciou o organismo.

Interrogado sobre as acusações recorrentes da lentidão a tratar os ‘dossiers’ de potencial fraude, o presidente da AIF, René Brulhart, respondeu que “mensagens pertinentes vão ser emitidas num futuro próximo” pelo procurador.

O banqueiro suíço, que chegou em 2012 durante o pontificado de Bento XVI, apresentou em conferência de imprensa o relatório anual da AIF, tendo sublinhando que o sistema aplicado no Vaticano para detetar anomalias financeiras ainda é “relativamente jovem”.

Em 2011, o Vaticano pediu para participar no processo de avaliação Moneyval, órgão do Conselho da Europa de avaliação de medidas contra o branqueamento de capitais.

Num dos últimos relatórios sobre as finanças da instuição, concluiu-se que o Vaticano corrigiu várias fraquezas estruturais, mas foi lento no lançamento dos processos legais. Brulhart deu conta de um “progresso significativo na cooperação bilateral” para troca de informações com as autoridades financeiras de outros países.

No quadro da luta contra o branqueamento de capitais e preventivamente, o Vaticano suspendeu em 2016 mais de dois milhões de euros de transações e operações de origem duvidosa, tendo sido congelados mais de 1,5 milhões de euros em contas e fundos.

Nesse mesmo ano, o Banco ganhou 36 milhões de euros, face aos 16,1 milhões de 2015. “Este resultado foi obtido .graças a uma atividade de negociação eficaz, em um contexto de grande volatilidade dos mercados, de instabilidade política (…) e de baixas taxas de juros”, disse o IOR em comunicado.

Crítica ao dinheiro para salvar bancos

Citado pela agência EFE, o Papa Francisco lamentou que sejam destinadas “somas escandalosas” de dinheiro para salvar bancos em dificuldades, mas não se invista “nem uma milésima parte” na ajuda a refugiados e migrantes.

“Que se passa no mundo de hoje que, quando um banco entra em bancarrota, aparecem imediatamente somas escandalosas para o salvar, mas quando há esta bancarrota da humanidade, não há nem uma milésima parte para salvar esses irmãos que sofrem tanto?”, questionou.

Quando há cinco anos o Vaticano anunciou que o novo Papa – por resignação de Bento XVI – seria Jorge Mario Bergoglio, nascido em Bueno Aires em 17 de dezembro de 1936 e que tomaria o nome de Francisco, os meios ligados à igreja Católica falaram em renovação: era o primeiro Papa nascido na América Latina e no hemisfério sul, o primeiro jesuíta e o primeiro, pelo nome adotado, a homenagear Francisco de Assis e com ele a opção pela pobreza em detrimento do fausto e do luxo.

Já em 2018, Francisco disse  que “o êxito, o dinheiro, a carreira profissional e as condecorações” são como os meteoritos, “estrelas cadentes” que enganam as pessoas e deixam rapidamente de brilhar. O Papa fez estas declarações durante a missa para a solenidade da Epifania do Senhor, realizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Francisco falou, na sua homilia, da estrela que guiou os três reis magos até Belém para convidar os católicos a questionarem-se sobre que astro guia a sua vida.

“Há estrelas deslumbrantes que despertam emoções fortes, mas não orientam o caminho. Isto sucede com o êxito, o dinheiro, a carreira, as honras, os prazeres desejados como finalidade da vida”, disse Francisco.

“Tudo isto são meteoritos que brilham num momento, mas rapidamente se desvanecem. São estrelas cadentes que em vez de nos orientar, despistam”, acrescentou.

O ano passado, o Papa recebeu, como oferta da marca, um dos novos Lamborghini Huracan. Colocado em leilão (pela Sotheby’s com valor estimado entre os 250 e os 350 mil euros) ficou logo estabelecido  que a receita da venda seria doada – foi definido que 70% do valor arrecadado reverterá para Ninawa , uma das 18 províncias do Iraque que foi atacada e sitiada pelo Estado Islâmico. Os restantes 30% seriam divididos equitativamente entre três associações: Amici per il Centrafrica Onlus, Groupe International des Chirurgiens Amis de la Main e Association Communauté Pape Jean XXIII.

O Papa assinou o capô do carro. Já antes, Francisco tinha assinado uma mota Harley-Davidson que também foi depois a leilão. Foi vendida por mais de 237 mil euros.

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