Do conflito frio à guerra comercial global: quão penalizadas por Trump poderão ser as economias mundiais?

Num cenário de uma guerra comercial global, em que todos países adotem tarifas a todos, os EUA acabariam por ser o país mais penalizado.

D. Myles Cullen, The White House

Donald Trump ‘limpou o pó’ aos livros sobre protecionismo, lançando receios sobre uma guerra comercial global. Os Estados Unidos anunciaram na passada quinta-feira um pacote de tarifas às importações, especialmente direcionado para a China, que inclui produtos que vão além do aço e alumínio (inicialmente anunciados). No total, o valor poderá chegar aos 60 mil milhões de dólares e o impacto para as economias globais poderá ir muito além.

“O outlook [para os próximos meses] irá depender do grau de retaliação internacional para o qual escalarem as dinâmicas da atual guerra comercial”, explicam os analistas do ING, Viraj Patel e Raoul Leering, numa nota divulgada esta terça-feira.

Na conceção dos analistas, há quatro cenários possíveis, a começar pelo de ataque unilateral. Nesta hipótese, os parceiros comerciais não iriam fazer qualquer retaliação e “os efeitos económicos seriam limitados, com a economia chinesa a ser a mais penalizada”, referem Patel e Leering, que estimam uma penalização acumulada de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) da China, nos próximos dois anos.

“O risco imediato é se os parceiros comerciais procurarem retaliar em medida igual ou proporcional”, dizem. Este seria o caso de uma batalha comercial “olho por olho”, sendo que nestes dois cenários, o ING ainda considera que seria um conflito frio.

No entanto, poderá haver consequências mais agressivas, que levem a uma guerra comercial global. Por um lado, Trump poderá reforçar a retórica de tarifas recíprocas, alargando as medidas protecionistas a outros países e setores (com especial destaque para o setor automóvel europeu). Por outro, a administração norte-americana poderá reagir a retaliações por parte de Beijing, impondo medidas mais duras, como uma tarifa cega de 20% a todas as importações vindas da China.

Patel e Leering consideram que este tipo de “passos ousados” iriam penalizar as grandes economias, sendo que nos três primeiros cenários, os Estados Unidos seriam sempre beneficiados.

Já num quarto cenário, de uma guerra comercial global em que todos países adotariam tarifas a todos, “os EUA seriam mais penalizados (-2% do PIB acumulados ao longo de dois anos) porque os exportadores norte-americanos iriam enfrentam elevadas tarifas em todas as fronteiras, enquanto o resto do mundo continuaria a transacionar uns com os outros, com os atuais acordos.

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