Draghi: países não têm de crescer ao mesmo ritmo, mas têm de convergir

O presidente do BCE encontrou-se com estudantes de economia e gestão em Lisboa, onde defendeu ainda que a política monetária ajudou os ‘millenials’ a encontrar emprego.

Convergência entre os países da zona euro e igualdade são prioridades de Mario Draghi, mas para isso os governos têm de implementar reformas estruturais. Num seminário com estudantes de economia em gestão no ISEG esta segunda-feira, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) defendeu que a política monetária do banco é una, focada na zona euro como um todo. 

“Não temos diferentes países, temos uma zona euro. A nossa política monetária é conduzida para uma zona euro”, explicou Draghi, que está em Lisboa para o Fórum anual sobre bancos centrais, que decorre até quarta-feira em Sintra.

Durante o Youth Dialogue, cujo tema era Juventude, Inovação e Produtividade, o italiano respondeu às comparações entre a atuação do BCE e a da Reserva Federal norte-americana, sublinhando as diferenças da zona euro com os EUA. Não havendo entre os países da moeda única um orçamento federal, “a convergência na zona euro é fundamental”.

“Os países não têm de crescer à mesma velocidade, mas a uma velocidade que crie convergência”, disse. “Já foram feitos grandes progressos. O nível de divergência entre os países está em mínimos históricos”. Draghi acrescentou que “reformas estruturais são fundamentais para a resiliência da convergência da zona euro”.

Sobre igualdade entre os cidadãos europeus, o presidente do BCE explicou acreditar que uma das principais razões é o desemprego. “A taxa de desemprego entre os jovens é muito elevada aqui e noutros países. Está a baixar, mas continua elevada. São diferentes em diferentes países devido às características do mercado de trabalho”.

Draghi afirmou que a política monetária do BCE está a combater a desigualdade e o desemprego. “Se formos bem-sucedidos no nosso mandato de estabilidade dos preços, combatemos a desigualdade”, disse aos estudantes, a quem acrescentou que eram a primeira geração verdadeiramente tecnológica e europeia.

Apesar do otimismo do banqueiro central, Draghi foi questionado sobre o impacto das taxas de juros em mínimos históricos na capacidade dos millenials de criarem riqueza.

“Os millenials que encontraram emprego com a nossa política monetária, tenho a certeza que estão bem com isso”, respondeu. “As poupanças vêm do crescimento. Quando o crescimento for robusto que o justifique, as taxas de juro vão subir e isso vai beneficiar quem poupa”.

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