Duo mais procurado da Argentina julgado hoje em Loures por roubos a bancos

Rodolfo “El Ruso” Lohrman e a Horacio Maidana, de 53 e 57 anos, detidos preventivamente na prisão de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, são suspeitos de, em 2003, em conjunto com outros elementos, do sequestro de Christian Schaerer, à data com 21 anos, estudante de direito e filho de um empresário da província de Corrientes, perto da fronteira com o Paraguai.

Pedro Nunes/Reuters

Dois dos homens mais procurados pelas autoridades argentinas desde 2003, e detidos pela Polícia Judiciária (PJ), em Aveiro, em 2016, e mais três arguidos, começam hoje a ser julgados no Tribunal de Loures por roubos violentos a bancos.

Rodolfo “El Ruso” Lohrman e a Horacio Maidana, de 53 e 57 anos, detidos preventivamente na prisão de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, são suspeitos de, em 2003, em conjunto com outros elementos, do sequestro de Christian Schaerer, à data com 21 anos, estudante de direito e filho de um empresário da província de Corrientes, perto da fronteira com o Paraguai.

Os autores exigiram um resgate para a sua libertação, mas até hoje o jovem nunca apareceu.

Quando foram detidos, a 16 de novembro de 2016 pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ, no momento em que se preparavam para assaltar uma carrinha de valores, os dois apresentaram identidades falsas. Só meses depois é que a PJ descobriu as suas verdadeiras identidades: dois dos criminosos mais procurados pelas autoridades argentinas.

Os outros arguidos – Manuel Garcia, guatemalteco, 32 anos, e Christian Gomez, 35 anos, de nacionalidade espanhola – estão em prisão preventiva ao abrigo deste processo, enquanto Jaime Fontes, português, 33 anos, está a cumprir pena por tráfico de droga, no âmbito de outro processo.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a que a agência Lusa teve acesso, antes de meados de agosto de 2014, os arguidos organizaram-se num grupo, que tinha “o seu modo de viver único e exclusivo”, para a prática de roubos a instituições bancárias em Portugal, liderado por Lohrman.

A acusação conta que o grupo começava por fazer reconhecimentos a instituições bancárias, para verificar as suas rotinas e as horas em que tinham elevadas quantias de dinheiro, nomeadamente quando os funcionários contabilizavam os depósitos diários e nas caixas multibanco, de preferência à segunda-feira, devido ao dinheiro acumulado no fim de semana.

Escolhido o dia e hora do assalto, o grupo atuava com grande violência.

“Maidana arrombava a porta de entrada na dependência bancária, fazendo, por norma, uso de uma marreta, permitindo o acesso dos demais arguidos ao seu interior. Trazendo armas de fogo (pistolas e caçadeiras) e recorrendo ao uso da força física, intimidavam, privavam da sua liberdade os funcionários e constrangiam-nos a entregar o dinheiro”, sustenta o MP.

A acusação indica que o grupo assaltou quatro bancos (três no concelho de Odivelas e um em Cascais), entre 2014 e 2016, conseguindo levar, ao todo, cerca de 235 mil euros, que foram transferindo para o estrangeiro, e furtado cinco viaturas.

Os arguidos estão acusados de associação criminosa, e de vários crimes de roubo qualificado, furto qualificado, falsificação, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida, condução sem carta e alguns respondem ainda por falsas declarações.

O início do julgamento está agendado para as 14:00 e esperam-se fortes medidas de segurança.

Ler mais
Recomendadas

Justiça arquiva investigação à Yupido, a startup portuguesa com capital social de 29 mil milhões

Yupido captou a atenção da comunicação social em setembro de 2017, após o economista Carlos Pinto ter divulgado nas redes sociais o capital social desta startup tecnológica. Até ao dia de hoje, a Yupido nada produziu, nem regista atividade pública. O revisor oficial de contas que avaliou o capital da empresa foi suspenso dois anos.

Estado não cumpre pagamentos de indemnizações por falta de dotação orçamental

Estado devia ter pago 18 milhões de euros em indemnizações mas só pagou pouco mais de sete mil euros, no final de 2018, por decisões na Justiça. Relatório revelou que dotação orçamental é insuficiente para cumprir com os pagamentos das indemnizações.

Tribunais afastaram 64 políticos e gestores em oito anos

Em 2012 e 2013 verificou-se o maior número de perdas de mandato (seis) e destituições (cinco), escreve o JN.
Comentários