Durão Barroso: “A Europa tem que ter as portas abertas [aos refugiados] mas não escancaradas”

Antigo presidente da Comissão Europeia defendeu, à margem do EurAfrican Forum, uma partilha da responsabilidade e o diálogo com países africanos.

José Manuel Durão Barroso disse esta terça-feira que a resposta aos atuais problemas humanitários deve passar pela resolução dos conflitos do país de origem e que deve existir um “controlo efectivo”, embora “humanitário das nossas fronteiras”.

O antigo presidente da Comissão Europeia falava à margem do EurAfrican Forum, do qual é chairman, organizado pelo Conselho da Diáspora, defendendo que a “solução é dialogar com os países africanos”.

“A Europa tem que ter as portas abertas mas não escancaradas. Se há um movimento incontrolável de imigrantes e isso está a gerar fenómenos de xenofobia muito preocupantes em alguns desses países, vão crescer os partidos de extrema direita, os partidos xenófobos, para não dizer os partidos às vezes racistas”, disse Durão Barroso.

Questionado se a responsabilização dos líderes dos países de origem das massas migratórias deve entrar na equação, o antigo líder europeu disse que “o objetivo não é responsabilizar os lideres africanos, mas ver como é que se pode gerir melhor uma situação que é preocupante”, acrescentando que “uma coisa é a imigração legal, outra coisa é o tráfico de seres humanos e as condições absolutamente inaceitáveis em que estamos a viver hoje em dia”.

Recordou que durante o exercício do cargo de presidente da Comissão Europeia visitou Lampedusa e viu “mais de trezentos caixões de pessoas que sem segurança atravessaram o Mediterrâneo para chegar àquela ilha italiana e a partir daí atingir a Europa”.

“Precisamos trabalhar em conjunto, a Europa e África. Precisamos apoiar mais, o desenvolvimento daqueles países. Não se tenha ilusão, é impossível controlar completamente os fluxos migratórios. A solução a longo prazo está no próprio desenvolvimento de África, os países de origem. Depois também é necessário, nomeadamente em relação aos refugiados – que é uma obrigação humanitária, receber essas pessoas -mas a Europa tem de partilhar essa responsabilidade. Não podem ser só alguns países, têm de ser todos”, acrescentou.

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