E do Banco de Portugal nem uma palavra…

Já passaram 45 dias desde que o Banco de Portugal retirou o pelouro da supervisão prudencial a Pedro Duarte Neves sem que tenha havido uma justificação da mudança por parte da instituição. Não se muda o comando desta área do banco central sem uma boa razão para isso. Muito menos se fazem trocas destas quando […]

Já passaram 45 dias desde que o Banco de Portugal retirou o pelouro da supervisão prudencial a Pedro Duarte Neves sem que tenha havido uma justificação da mudança por parte da instituição.
Não se muda o comando desta área do banco central sem uma boa razão para isso. Muito menos se fazem trocas destas quando se está em pleno furacão, neste caso chamado caso BES, sem que se assuma claramente o motivo.
Ao Banco de Portugal, como a qualquer outra instituição pública, exige-se transparência em vez de uma fuga para a frente à espera que o caso caia no esquecimento. Exige-se uma prestação de contas, uma avaliação pública do que corre bem e do que corre mal.
Não se trata, naturalmente, de culpabilizar os polícias em vez dos criminosos, de responsabilizar as autoridades pelas atrocidades que outros fizeram. São planos diferentes, mas ambos são decisivos.
Queremos uma Justiça que funcione, que investigue, persiga e puna devidamente todos aqueles que violam a lei e cometem crimes. Mas queremos também saber se as instituições públicas que têm essas funções estão devidamente preparadas para o fazer, se são diligentes, se atuam com a celeridade e assertividade que se impõe. Os cidadãos têm o direito de saber se as Autoridades cumprem a sua função de forma competente.
É essa certeza que não temos em relação ao Banco de Portugal. Pior: são elevadas as suspeitas de que o banco central não tem cumprido devidamente a sua importante função de supervisão prudencial, dada a sucessão de casos que lhe tem escapado.
Desconhece-se que medidas foram tomadas no banco central depois do caso BPN. Houve alguma auditoria interna para se perceber o que falhou? Reconstitui-se o que foi feito, quando e por quem? Averiguou-se o que devia ter sido feito e não foi? Tirou-se alguma conclusão disso? Alteraram-se práticas em função dessas conclusões? Testou-se? Experimentaram-se novas soluções? Ou pelo menos conclui-se depois de uma profunda averiguação que nada de muito diferente podia ter sido feito? Não sabemos. E não sabendo, somos tentados a pensar o pior. E o pior voltou a acontecer.
Aparentemente, a postura majestática do Banco de Portugal não lhe permite este tipo de práticas de transparência democrática e de prestação de contas a todos aqueles que a instituição deve servir: os cidadãos, contribuintes, clientes bancários. É para estes que o Banco de Portugal trabalha, não é para os bancos nem para os banqueiros. Estes são um meio para atingir o fim, que é o da estabilidade financeira, solidez das instituições, salvaguarda das poupanças confiadas pelos cidadãos, cumprimento das regras e da lei. No fundo, trata-se de criar condições para que o decisivo sistema financeiro seja parte importante do desenvolvimento económico e social do país.
Mas como sabemos o que tem acontecido é o contrário. Os casos que têm ocorrido no sistema financeiro tornaram-se uma parte importante do nosso problema económico e financeiro, pelo inacreditável impacto nos bolsos dos contribuintes, pelo abalo na confiança de investidores e aforradores e pelo impacto na essencial função de financiamento da economia. Ainda que a generalidade dos outros bancos seja bem gerida e cumpra como pode essas funções, o abalo das tristes exceções é inegável.
Não podendo ter um polícia a vigiar cada operação bancária, compete pelo menos ao Banco de Portugal garantir que cumpre devidamente a nobre função que o país lhe entregou, dentro das possibilidades institucionais e humanas. É essa garantia que não temos nem nunca teremos sem uma devida prestação de contas do supervisor. Que tarda.

 

Paulo Ferreira
Jornalista
(pauloferreira1967@gmail.com)

Recomendadas

teste

O Lorem Ipsum é um texto modelo da indústria tipográfica e de impressão. O Lorem Ipsum tem vindo a ser o texto padrão usado por estas indústrias desde o ano de 1500, quando uma misturou os caracteres de um texto para criar um espécime de livro. Este texto não só sobreviveu 5 séculos, mas também o salto para a tipografia electrónica, mantendo-se essencialmente inalterada. Foi popularizada nos anos 60 com a disponibilização das folhas de Letraset, que continham passagens com Lorem Ipsum, e mais recentemente com os programas de publicação como o Aldus PageMaker que incluem versões do Lorem Ipsum.

RIO é Mau, Vote no RIO!

O que ninguém imaginava, nem os mais descrentes,  é que o consulado -Rio seria “isto”. Uma guerra civil permanente, com o grupo parlamentar, com as concelhias, mas também com os “seus”, a própria direção e secretariado-geral, com inúmeras demissões e afastamentos.