EasyJet diz que alterações ao subsídio de mobilidade da Madeira podem ser muito perigosas

O diretor da easyJet em Portugal diz que a posição da companhia aérea é muito clara e centra-se na recusa em substituir o estado nos adiantamentos do subsídio de mobilidade acrescentando que as mudanças que estão a ser discutidas na Assembleia da República podem ser muito perigosas para a economia da Madeira.

A easyJet defendeu que alterações ao subsídio de mobilidade da Madeira podem ser muito perigosas para a economia local e que essas mudanças podem colocar em causa a operação destas companhias aéreas.

“Não é de todo algo que seja agradável, estamos perante uma situação muito perigosa para o futuro da Madeira, em termos económicos”, afirmou o diretor da easyJet em Portugal, José Lopes.

Falando aos jornalistas à margem da feira de aviação Farnborough Airshow, no Reino Unido, o responsável insistiu que a posição da companhia “é muito clara” e centra-se na recusa de substituir o Estado nos adiantamentos deste subsídio de mobilidade.

Na semana passada, o parlamento aprovou na generalidade uma proposta de lei para que os residentes e estudantes da Madeira, beneficiários de um subsídio de mobilidade, paguem apenas o valor estipulado da viagem e não fiquem à espera de reembolso posterior.

Até agora, os beneficiários deste subsídio tinham que, no ato da compra, pagar a totalidade do preço dos bilhetes, sendo posteriormente reembolsados.

O documento, que baixou à especialidade para depois voltar a ser votado em plenário, prevê assim que sejam as companhias aéreas a adiantar o subsídio atribuído a residentes e estudantes da Madeira.

De acordo com José Lopes, “esta tomada de decisão na Assembleia da República foi uma surpresa para todos”.

“A nossa posição é muito clara. Fomos extremamente frontais, sinceros e transparentes a expressar a nossa opinião sobre o tema, quer em reuniões com o Governo central, regional, quer na Assembleia da República”, referiu.

José Lopes disse esperar que agora “exista bom senso perante tudo aquilo” que esta e outras companhias aéreas expuseram sobre “as consequências que isto pode ter”, nomeadamente ao nível da operação.

“Espero que haja bom senso da classe política e que compreendam o impacto extremamente negativo que isto pode ter para a economia da Madeira”, caso as companhias aéreas decidam sair em oposição às alterações, reforçou.

Ainda assim, “estamos a analisar juridicamente todos os detalhes da questão, à luz não só da lei portuguesa, mas da lei comunitária e a analisar os vários planos B”, adiantou o diretor da easyJet em Portugal.

José Lopes escusou-se a revelar as medidas alternativas, dado a “fase muito embrionária” do processo.

“Vamos ver como é que as coisas evoluem nos próximos meses”, concluiu.

Em novembro passado, em declarações à agência Lusa, José Lopes disse que a easyJet “tudo fará para não ser empurrada” do aeroporto do Funchal, na Região Autónoma da Madeira, mas recusa-se a “substituir” o Estado no que toca ao subsídio de mobilidade.

Com o modelo de mobilidade em vigor, estas viagens para os residentes na Madeira custam 86 euros, pagando os estudantes 65 euros, tendo um teto máximo de 400 euros. Nos casos das ligações pagas com cartões de crédito, os reembolsos são efetuados apenas depois de 60 dias.

Já nas deslocações entre o arquipélago da Madeira e o dos Açores, o valor máximo é 119 euros para os residentes e equiparados e 89 euros para os estudantes.

Com esta alteração, os beneficiários passarão a pagar apenas o valor que lhes corresponde, não sendo necessário avançar com o total e ficar à espera do reembolso.

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