EDP, REN, Jerónimo Martins e NOS brilham na bolsa de Lisboa que sobe em contraciclo

Lisboa foi a excepção numa Europa que fechou em terreno negativo. Por cá a Galp apresentou lucros acima do esperado, mas as ações caíram. Na Europa destaque para a taxa de inflação anual na Alemanha que se situou em julho em 2%, informou hoje o gabinete federal de estatísticas (Destatis) com base em dados provisórios. O Dax caiu e os juros soberanos alemães agravaram. Os periféricos acompanharam.

A EDP valorizou 1,23% para 3,533 euros; a REN ganhou 1,20% para 2,520 euros, a Jerónimo Martins subiu 1,11% para 12,710 euros e a NOS valorizou 1,02% para 4,972 euros. Com isto o índice PSI 20 subiu 0,22% para 5.627,74 poontos em contraciclo com as principais praças europeias.

Em terreno negativo fecharam a EDP Renováveis (-1,03% para 8,690 euros); a Semapa (-1,21% para 20,450 euros); o BCP (-0,78% para 0,2659 euros); a Corticeira Amorim (-0,70% para 11,400 euros); a Pharol (-0,65% para 0,230 euros); e a Galp (-0,63% para 17,395 euros). A Galp apresentou hoje lucros a subirem 68% para 387 milhões de euros, devido aos preços do petróleo e gás. O analista do BCP considera que os números foram bons no segundo trimestre. “O resultado líquido ajustado do 2º trimestre foi de 251 milhões de euros, acima dos 210 milhões esperados pelo consenso (dados Bloomberg). O EBITDA ajustado cresceu 38% para os 628 milhões (versus 615 milhões esperados), salienta o BCP.
A Galp espera agora um EBITDA superior a 2,1 mil milhões para 2018 (o que compara com o intervalo entre 1,8 mil milhões e 1,9 mil milhões esperados anteriormente). O consenso de mercado tem descontado um EBITDA de 2,3 mil milhões. O guidance de CapEx (investimento) mantém-se no intervalo entre 1.000 milhões e os 1,1 mil milhões e o preço-alvo médio atribuído pelos analistas é de 17,17 euros por ação, tendo sido ligeiramente revisto em alta no último mês. Com o Credit Suisse (20,10 euros/ação) e JPMorgan (18,50 euros) a serem os mais otimistas para os títulos da petrolífera nacional”, revela o Millennium Investment Banking.

Na Europa, a tendência é de queda nas principais praças europeias, com o maior índice, o Stoxx600, a fechar com uma queda de 0,24% para os 391,15 pontos. O EuroStoxx 50 caiu 0,42% para 3.512,31 pontos. Isto, numa semana em que os investidores esperam os discursos de alguns dos maiores bancos centrais do mundo, como o banco do Japão e a Fed.

O analista do Millennium Investment Banking dizia a meio da manhã que a holandesa Heineken  anunciou que a margem vai cair em 2018 e por isso era o título que mais caía no Stoxx 600 (-5,26%). “No plano macro, o clima económico nos Serviços na Zona Euro compensa um arrefecimento nos restantes quadrantes”, diz o analista do BCP.

O francês CAC 40 caiu 0,37% para 5.491,22 pontos; o DAX caiu 0,48% para 12.798,2 pontos; o FTSE 100 desceu 0,01% para 7.700,85 pontos; o AEX holandês deslizou 0,53%.

Na Europa do sul, Lisboa foi a excepção perante o Ibex de Madrid que caiu 0,14% para 9.854,1 pontos; e o FTSE MIB de Itália desceu 0,06% para 21.941,01 pontos.

Em termos macroeconómicos hoje saíram os indicadores de Sentimento Económico Comissão Europeia, relativos a julho de 2018, e para Portugal registou um valor de 113,6 pontos, o que compara com o valor de 114,3 pontos verificado no mês anterior. Em julho de 2018, o Indicador de Clima de Negócios da Zona Euro diminuiu 0,09 pontos para 1,29 pontos.

Segundo o analista do BCP, “o bom clima económico em Portugal continua a dar confiança a PSI20. O indicador de Confiança dos Consumidores desceu de 2,8 para 1,3 em julho e o indicador de Clima Económico subiu de 2,4 para 2,5, estando no valor mais elevado desde 2002, o que confere potencial ao PSI20, pela correlação histórica”.

“O Índice de Confiança na Indústria da Zona Euro desceu de 6,9 para 5,8 em julho, de forma mais brusca que o esperado (6,7); a leitura de Confiança nos Serviços melhorou surpreendente, de 14,4 para 15,3 (previa-se 14,2); o indicador de Confiança Económica caiu de 112,3 para 112,1 (versus 112 aguardados); o indicador de Clima Empresarial passou de 1,38 para 1,29 (esperava-se 1,35) e os dados finais confirmaram manutenção dos níveis de confiança dos consumidores na Zona Euro, com o indicador nos -0,6”, relata Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium investment banking.

Em Portugal o dado do dia foi a taxa de desemprego estimada que se situou em 6,7%, em junho de 2018, tendo diminuído 0,3 p.p. em relação ao mês anterior (tendo sido revista em baixa de 7,3% para 7,0%). Em junho de 2018, o Índice de Produção Industrial diminuiu 0,9% e o o Índice de Volume de Negócios no Comércio a Retalho aumentou 3,3%.

A taxa de inflação anual na Alemanha situou-se em julho em 2%, informou hoje o gabinete federal de estatísticas (Destatis) com base em dados provisórios.

A dívida soberana alemã a 10 anos agrava 4,3 pontos base para 0,446% e a Francesa idem (+4,5 pontos base para 0,748%). Nos periféricos, a tendência é também de agravamento, a dívida portuguesa sobe 4,7 pontos base para uma yield de 1,772%; Itália sobe 4,3 pontos base para 2,786% e Espanha vê os juros soberanos a agravarem 5,3 pontos base para 1,426%.

O petróleo está a subir significativamente. O WTI, referência nos EUA, sobe 2,01% para 70,70 dólares e o Brent (referência na Europa) ganha 0,87% para 74,94 dólares.

O euro valoriza 0,47% para 1,1712 dólares.

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