Empresários pouco atentos a novos riscos

Rodeados de risco nas várias vertentes do seu negócio, os empresários nem sempre se mostram disponíveis para acautelar riscos emergentes, cuja probabilidade de ocorrência consideram mínima, mas cuja eventual concretização constituiria uma potente ameaça. Há empresários mais sensíveis a novos riscos do que outros. Há empresários mais disponíveis do que outros para conhecer aprofundadamente os […]

Rodeados de risco nas várias vertentes do seu negócio, os empresários nem sempre se mostram disponíveis para acautelar riscos emergentes, cuja probabilidade de ocorrência consideram mínima, mas cuja eventual concretização constituiria uma potente ameaça.

Há empresários mais sensíveis a novos riscos do que outros. Há empresários mais disponíveis do que outros para conhecer aprofundadamente os potenciais efeitos de novos riscos. Há empresários sempre em alerta, E há empresários que preferem esperar para ver o que acontece, torcendo para que nada aconteça.
Falar de riscos emergentes aos empresários portugueses é uma tarefa assumida pelos corretores de seguros, sabendo de antemão que poderão encontrar qualquer uma destas posturas no seu interlocutor. Tipicamente, “os empresários ligados a multinacionais ou empresas de grande dimensão estão mais sensibilizados para os novos desafios que se colocam às empresas em termos de risco. Já em pequenas e médias empresas, com exceções que haverá sempre, acho que nem tanto”, adianta Paula Rios, administradora da MDS. “Recordo que há cerca de dez anos, quando falávamos aos responsáveis das empresas na Responsabilidade dos Administradores e na vantagem em transferi-la para um seguro, olhavam para nós com muita estranheza e o mesmo se passou quando começámos a falar em Responsabilidade Ambiental, hoje um tema já comum”, recorda Paula Rios.
Evangelizar torna-se, assim, num desafio permanente para as seguradoras, que sabem que têm um caminho progressivo a percorrer na sensibilização de clientes e potenciais clientes para novos riscos. E se entretanto um outro sinistro relacionado com esse tema vier a ser relatado, aí sim, floresce uma hipótese de conseguir despertar um pouco mais a atenção dos empresários para a temática.
E que riscos poderão, então, tornar-se verdadeiramente interessantes para um empresário? “Atualmente creio que os temas que despertam maior interesse serão, ao nível dos Seguros de Pessoas, todos os relacionados com a longevidade, a necessidade de financiar a saúde a partir de uma certa idade, o ‘long term care’ e a necessidade de complementar por via privada as tendencialmente mais exíguas pensões de reforma”, revela Paula Rios ao OJE.

Os perigos da internet
Mas se há riscos a que os empresários passaram recentemente a estar atentos, esses riscos serão certamente os riscos cibernéticos. “Estão indubitavelmente na ordem do dia e cada vez com uma maior exposição ao nível dos danos que causam a empresas e organizações”, confirma Filipe Pimenta da Gama, business development director da Aon, que recorda, como exemplo, as últimas investidas perpetradas contra a plataforma eletrónica da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa ou os casos de extorsão cibernética que conduzem empresários a pagar resgastes para recuperação dos seus próprios dados.
“Em Portugal, e segundo a informação disponível, desde 2011 que grupos organizados socorrem-se de ataques informáticos a plataformas eletrónicas de entidades públicas e privadas, com os mais amplos fins. Por conseguinte, o ressarcimento dos danos causados a terceiros caberá às próprias entidades-alvo de ataque, com remota hipótese de virem a acionar qualquer direito de regresso ou de sub-rogação contra o infrator”, explica Filipe Pimenta da Gama, que sublinha que “a exposição legal destas ameaças, bem como os prejuízos para a reputação e interrupção da continuidade de negócio podem condicionar de forma determinante os resultados finais das empresas e, em determinados casos, a sua própria subsistência”.
Apesar de existirem já no mercado segurador soluções que podem ajudar os empresários a identificar e, sobretudo, a transferir parte destes para as companhias de seguros, há ainda muita hesitação em fazê-lo. “Por ser algo ‘novo’, ainda existe relutância na real necessidade e alguma desconfiança na qualidade e efetividade destas soluções”, confirma o responsável da Aon, para quem “o custo é igualmente um fator determinante, sobretudo quando o empresário e/ou decisor é da opinião que a probabilidade de sofrer um ataque é diminuto e que, ainda que sofra um ataque, o dano possa ser controlável e por isso abster-se de contratar este tipo de solução, procurando poupar”.
E depois há ainda aqueles riscos de que ainda mal se fala. Mas que existem. E Paula Rios acredita que eles acabarão por estar na ordem do dia nos próximos anos. “Só para citar alguns: os campos eletromagnéticos (telemóveis) a nanotecnologia (nano partículas presentes em cosméticos e numa enorme variedade de produtos), as alterações climáticas (às quais já estamos, realmente, a assistir, com todas as suas consequências devastadoras) e a vulnerabilidade das cadeias de fornecimento (‘supply chain’)”, identifica a administradora da MDS, reconhecendo que “os riscos são novos, são diferentes e não temos experiência passada que permita estudá-los e por isso têm de ser vistos com uma nova perspetiva, o que será um desafio claríssimo para todos nós”.

 

OJE

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