Empresários preferem corretores com presença ou parcerias internacionais

Numa economia cada vez mais voltada para os mercados externos, os corretores de seguros assumem um papel preponderante, embora discreto, no apoio às empresas portuguesas que pretendem vencer além-fronteiras. Se há iniciativa que está repleta de riscos que podem pôr em causa a viabilidade de uma empresa, a internacionalização será certamente uma delas. Dar início […]

Numa economia cada vez mais voltada para os mercados externos, os corretores de seguros assumem um papel preponderante, embora discreto, no apoio às empresas portuguesas que pretendem vencer além-fronteiras.

Se há iniciativa que está repleta de riscos que podem pôr em causa a viabilidade de uma empresa, a internacionalização será certamente uma delas. Dar início a uma operação num mercado externo, tantas vezes desconhecido a vários níveis, dependendo da honestidade de interlocutores de quem pouco ou nada se ouviu falar, num enquadramento jurídico e fiscal que por vezes revela diferenças abissais face àquilo que se conhece no país de origem é, afinal, um ato rodeado de riscos por todos os lados. Mas embarcar nessa aventura sem qualquer suporte de gestão de risco será, porventura, o risco maior que um empresário pode correr.

“Uma percentagem relevante que contribui para o crescimento da economia portuguesa está efetivamente ligado ao processo de internacionalização, seja pela forma mais simplificada que é a exportação, ou o processo que requere mais tempo e cuidado e que passa pela deslocalização e ou investimento efetivo fora de Portugal”, reconhece Filipe Pimenta da Gama, business development diretor da Aon Portugal. “Em qualquer dos casos, o apoio do corretor é determinante para poder ajudar a empresa numa correta identificação e análise dos riscos inerentes ao investimento que pretende realizar, assim como ser conhecedor das características do país em questão”, desataca o responsável da Aon.

E se na Europa os empresários portugueses acabam por encontrar culturas e ambientes de negócios com grandes semelhanças àquilo que já conhecem em Portugal, partilhando até, em muitos casos, a mesma moeda, o mesmo já não acontece quando muitos destes negócios se dão hoje fora do velho continente. Ora porque em África a maturidade do sistema de justiça ainda não se aproxima do sistema europeu. Ora porque na Ásia se esbarram em diferenças culturais muito relevantes em transações comerciais. Ora porque na América do Norte o grau de litigância é amplamente superior àquele a que os portugueses estão habituados. “A entrada num novo mercado pressupõe um conhecimento exaustivo dos riscos desse mesmo mercado, cada região do mundo tem as suas particularidades, leis, regras e práticas tornando o processo francamente complexo e de difícil escrutínio”, confirma ao OJE Filipe Pimenta da Gama.

Por isso mesmo, garante o mesmo responsável, “cada vez mais as empresas que se internacionalizam dão valor à capacidade e qualidade da ‘entrega’ de um corretor internacional, onde o grau de conhecimento e eficiência são francamente maiores quando comparados com a capacidade de um corretor/mediador local, que, embora tenha todas as competências para servir o cliente localmente, não tem o conhecimento efetivo nem presença nesses mercados, que permitam, entre outros, um conhecimento dos riscos locais e a implementação e gestão de um programa de seguros internacional eficiente a partir de Portugal”.

A aposta em operadores que assegurem uma presença multinacional, através de operação própria ou parceria, tem sido, neste contexto, o caminho preferido pela generalidade dos empresários lusos que já se aventuraram no mercado internacional, procurando o escoamento de bens e serviços que não conseguem concretizar em Portugal. Filipe Pimenta da Gama lembra ainda que “um corretor internacional tem também a particularidade de poder centralizar todo o processo de comunicação e de gestão num único interlocutor, neste caso em Portugal, tornando o processo de implementação, gestão e controlo dos riscos em cada país francamente mais facilitado e eficiente”.

Por outro, acrescenta ainda o responsável da Aon, “a utilização de ferramentas de gestão, ao nível global, é outra realidade presente, e por norma disponibilizadas por corretores internacionais e que tem por objetivo ajudar não só na identificação dos riscos em cada região do mundo, como ajudá-los a gerir”.

 

OJE

 

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