Espanha: PP vacila entre a continuidade e a… continuidade

Soraya Saenz de Santamaria e Pablo Casado. Um deles vai suceder a Mariano Rajoy à frente do Partido Popular espanhol. Os analistas afirmam que são mais do mesmo, num partido a precisar de ser refundado.

Soraya Saenz de Santamaria e Pablo Casado são os dois nomes que correm para, a partir deste sábado, liderarem o Partido Popular espanhol. Ambos afirmam terem fundadas esperanças em ganharem a confiança dos mais de três mil delegados presentes – depois de Santamaria ter tentado uma lista de consenso a que Casado disse que não.

Segundo a imprensa espanhola, o resultado final deverá ser muito renhido. Mas uma coisa parece certa: num partido que carece de passar por uma espécie de refundação, nada indica que seja isso que qualquer um dos dois possa oferecer ao PP.

Nascido em 1981, Pablo Casado é gestor de empresas e entrou na política muito jovem – na juventude do partido. Candidato do PP às eleições para a Assembleia de Madrid em 2007, foi eleito deputado regional, onde atuou como porta-voz da Comissão de Justiça e da Administração Pública. Foi também vice-presidente do Comité do Orçamento e Finanças.

Entre 2009 e 2012, foi chefe de gabinete do ex-presidente do governo José María Aznar. Foi nesse papel que se envolveu com ações mais internacionais, nomeadamente participando em lóbis de influência aparentemente patrocinados por Israel. Foi dirigente destacado do partido com Mariano Rajoy, mesmo quando, em abril de 2018, se tornou suspeito de mentir em relação ao seu currículo académico – as investigações estão em curso.

Na sua candidatura, afirma que “proponho a defesa da liberdade individual e económica: impostos baixos, administração eficiente, defensa da unidade da Espanha – mesmo com o desafio da independência na Catalunha, no País Basco e em Navarra – segurança muito centrada na luta contra o terrorismo, defesa da família e da vida e de todas as políticas sectoriais que a determinam: educação, pensões, saúde, com eficácia e honestidade”.

Dez anos mais velha, Soraya Saenz de Santamaria, jurista, foi entre 2011 e 2018 vice-presidente e ministra da Presidência do governo de Mariano Rajoy. Chegou a ser secretária executiva do Partido Popular.

Em Outubro de 2017, após a declaração unilateral de independência da Catalunha por parte de Carles Puigdemont, assumiu as funções de presidente da Generalitat da Catalunha, em conformidade com o artigo 155 da Constituição espanhola – dado que acumulava o cargo de ministra da Administração do Território.

É, por isso, uma das políticas do PP mais próximas de Mariano Rajoy – e venceu as primárias que antecederam o congresso deste fim-de-semana.

Para os críticos do PP, claro está, mas também para algumas franjas do próprio partido, qualquer uma das soluções que vier a sair vencedora tem um problema: é mais do mesmo. Santamaria é uma das personalidades mais próximas de Rajoy e a sua prestação à frente da Generalitat colocou-a numa ‘prateleira de visibilidade’ que com certeza dispensaria na sua carreira política.

Mas Casado, apesar de mais novo, esteve sempre do lado dos que foram minando o partido – desde logo José María Aznar: foi durante o seu consulado que o partido começou a ser suspeito de desviar dinheiro para o seu financiamento ilícito – algo que ficou provado há pouco tempo e de que resultou o fim do governo liderado por Rajoy.

O PP é, por isso, um partido com um passado recente que lhe é extremamente inconveniente. As suas prestações eleitorais são disso prova, mas, para os críticos, os populares parece que não aprenderam nada. O partido, dizem, precisava de ser liderado por alguém que surgisse ‘virgem’ de qualquer contacto com as zonas mais cinzentas do seu aparelho – parte dele acusado de diversos crimes – o que não acontece nem com Santamaria nem com Casado.

E a questão da ‘virgindade’ não tem apenas a ver com os crimes cometidos no interior do PP. Tem também a ver com as profundas alterações sociológicas que se manifestam na política espanhola de há uns anos a esta parte – e de que resultou o aparecimento com muito assinalável sucesso de novas formações (com géneses emanadas de outras lógicas): o Podemos e o Ciudadanos.

Para estes críticos, qualquer um dos dois vai apenas cumprir um programa de continuidade, quando o partido precisava de uma verdadeira refundação.

Entretanto, esta sexta-feira, Mariano Rajoy dirigiu-se ao partido pela última vez. Uma frase pode resumir a sua prestação: teria feito tudo igual outra vez.

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