Extrema-direita alemã quer Angela Merkel fora do governo

O partido pró-nazi queixa-se da política que a chanceler reserva aos imigrantes e refugiados que chegam à Alemanha.

Antes da sua viagem a Portugal, esta semana, a chanceler Angela Merkel viu-se confrontada com a oposição interna ao seu governo, consubstanciada numa manifestação, em Berlim, de milhares de manifestantes do partido Alternativa para a Alemanha (AfD, xenófobo, antieuropeu e de inspiração nazi, que pela primeira vez está no Parlamento) que, na Porta de Brandeburgo, gritaram que “Merkel deve sair”.

Em causa está aquilo que o partido considera ser o excesso de ‘bondade’ do governo de Merkel para com os refugiados que chegam ao país aos milhares e que a AfD acha ser um excesso, tanto em termos dos direitos que lhes são concedidos como das verbas despendidas para os receber.

Ao longo do dia, os ânimos exaltaram-se porque na outra margem do rio Spree, ao pé do Reichstag, o parlamento alemão, milhares de sindicalistas, associações berlinenses e membros de partidos de esquerda insurgiram-se contra a manifestação de extrema-direita. Uma forte presença policial (cerca de dois mil agentes) tentou com que os confrontos entre as duas manifestações antagónicas não redundasse numa batalha campal, mas segundo os órgãos de comunicação social chegou a haver alguns focos de violência. A polícia precisou de usar gás lacrimogéneo para afastar alguns dos manifestantes, informou a força de segurança.

A contramanifestação acabou mesmo por conseguir forçar a manifestação da AfD a afastar-se do caminho previsto depois de bloquear uma ponte, com os manifestantes de extrema-direita a retomarem a marcha por outro caminho.

Durante o percurso, houve insultos e apupos contra os manifestantes da AfD, e o partido informou que um dos seus autocarros foi atingido por pedradas e por jatos de tinta. “A propaganda nazi não é um direito” ou “Toda a Berlim é contra a AfD” foram algumas das palavras de ordem que milhares de contramanifestantes que se reuniram na capital alemã lançaram contra a iniciativa da extrema-direita.

Barcos com bandeiras e balões também se juntaram contra a AfD, enquanto discotecas e bares procuravam abafar as palavras de ordem da extrema-direita com a emissão de música tecno, nas ruas. Carrinhas e barcos munidos de altifalantes procuraram igualmente abafar as palavras de ordem da AfD.

Inicialmente, a AfD anunciou a possibilidade de reunir cerca de 10 mil manifestantes de extrema-direita, mas depois recuou e anunciou que estariam presentes entre 2.500 e cinco mil manifestantes. Muitos optaram por não comparecerem, pois “temem represálias no seu emprego”, disse o partido.

Fundado em 2013, o movimento AfD tornou-se na terceira maior força política da Alemanha e tem-se oposto à chegada de mais de um milhão de imigrantes ao país. A questão dos imigrantes e refugiados foi sempre uma das principais bandeiras da organização pró-nazi, que conseguiu, através da xenofobia, um lugar de grande relevo no Parlamento alemão.

O partido pró-nazi também se tem manifestado contra a abertura de Merkel a um entendimento crescentemente importante com a China – que a AfD considera ser um país ideologicamente pouco fiável e por isso uma fraca alternativa para a expansão da economia global alemã.

Em determinada altura do moroso e difícil processo de formação do atual governo de Merkel, a AfD chegou mesmo a acalentar a possibilidade de entrar numa coligação com os democratas-cristãos da CDU – mas a chanceler acabou por conseguir convencer os social-democratas do SPD a reeditarem a grande coligação do centro, que já antes tinha governado a Alemanha.

Ler mais
Relacionadas

Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

A semana irá ser curta devido ao feriado de quinta-feira, mas é longa em motivos de interesse. O impasse político em Itália ganhou novos contornos e deverá centrar as atenções dos investidores, Angela Merkel visita Portugal, o INE irá divulgar dados da inflação, do emprego e do PIB e a semana poderá fechar com um relatório da Fitch.

Primeiro-ministro chinês vê “enorme potencial de cooperação” com a Alemanha

Li Keqiang revelou ainda que os dois países “mantêm o comércio livre” e que a China “sempre apoiou uma Europa próspera e unificada”.

Angela Merkel visita a China esta semana. Pela 11ª vez desde que é chanceler

A chanceler alemã vai à China (antes de visitar Portugal), cerca de um mês depois de se ter encontrado com Donald Trump. Um equilíbrio diplomático difícil.

Merkel visita Portugal nos dias 30 e 31 de maio para discutir o futuro da Europa

A chanceler da Alemanha vem a Portugal nos próximos dias 30 e 31 de maio para discutir com o primeiro-ministro e o Presidente da República o projeto de integração europeia, noticia o “Jornal de Negócios”.
Recomendadas

“Que Deus abençoe a memória daqueles em Toledo”. Trump engana-se no nome da cidade do massacre no Ohio

O presidente norte-americano referiu-se referiu a Toledo, e não a Dayton, nas suas observações sobre um dos recentes massacres onde morreram nove pessoas e outras 27 ficaram feridas.

A “Casa de Papel” na vida real: Assalto à Casa da Moeda do México leva dos cofres 50 milhões em menos de 4 minutos

Os assaltantes conseguiram desarmar um guarda e furar todas as barreiras de segurança até chegarem ao cofre de segurança, que estaria aberto. Em menos de quatro minutos, o grupo de homens roubou e fugiu do edifício sem que a polícia tivesse sequer chegado.

Japão testa drones que transportam pessoas para diminuir o trânsito

Os responsáveis pelo projeto apontam que os drones tripulados poderão ser uma solução para combater o trânsito: “O Japão é um país com uma densidade populacional muito elevada, e como tal, carros voadores poderão ser a solução para diminuir o trânsito no país”.
Comentários