F. Ramada reforça indústria do PSI 20, mas enfrenta problemas de liquidez

A entrada da empresa de aços, armazenagem e ativos florestais é vista como positiva para o índice de referência. No entanto, os analistas consideram que a empresa irá enfrentar desafios. O setor tecnológico deixa de estar representado.

A indústria do PSI 20 vai ser reforçada, enquanto a tecnologia vai deixar de estar representada. O índice de referência nacional negoceia esta segunda-feira com um novo cenário, com a entrada em vigor das mudanças feitas pela Euronext Lisbon, há duas semanas: a tecnológica Novabase regressa ao PSI Geral, enquanto a empresa de aços, armazenagem e ativos florestais F. Ramada sobe ao PSI 20.

“A entrada da F. Ramada no PSI 20 aumenta o número de empresas que operam no setor industrial presentes no índice, ainda que estas empresas operem em sub-setores diferentes”, explicou a equipa de research do BiG – Banco de Investimento Global.

A F. Ramada traz assim o aço, sistemas de armazenagem e ativos florestais, que se juntam ao papel e pasta de papel, da Altri e Navigator, e à cortiça, da Corticeira Amorim.

Salvador Alves, analista da Orey Financial, considera que a subida faz sentido já que “a F. Ramada tem uma capitalização de mercado superior a 300 milhões de euros e tem tido um desempenho muito acima do PSI 20 nos últimos anos”.

Em cinco anos, as ações passaram dos 0,70 para os 13 euros. Em 2017, o lucro do grupo quadruplicou, para 56,7 milhões de euros, em comparação com 2016.

A industrial presidida por João Borges de Oliveira vai ficar com o lugar que pertencia à Novabase, que “tem uma capitalização de mercado de apenas 88 milhões de euros” e “não viu benefícios em ser incluído no principal índice nacional”, segundo Alves.

Ambos vêem a entrada da F. Ramada como positiva para o PSI 20, mas sublinham que a saída da Novabase implica que não haverá a partir desta segunda-feira nenhum representante no índice da tecnologia. O setor tem sido dos que mais valoriza e dos que mais atenção tem recebido em mercados internacionais.

Além desta questão, consideram que a industrial deverá enfrentar desafios. “A F. Ramada deverá apresentar as mesmas condicionantes que caracterizam a Ibersol e Novabase – negociação de um título com pouca liquidez”, refere a equipa de research do BiG. O analista da Orey Financial concorda, mas sublinha que a empresa “poderá beneficiar de mais visibilidade e liquidez”.

O PSI 20 mantém-se, apesar das alterações feitas na revisão anual da Euronext Lisbon, com o mínimo de cotadas a que as regras do índice obrigam (18) e continua a falhar o número que lhe dá nome.

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