Facebook já perdeu mais de 64 mil milhões de dólares em Wall Street

No acumulado das duas últimas sessões de Wall Street, o Facebook já desvalorizou 12%, perdendo mais de 64 mil milhões de dólares.

O valor das ações da rede social mais famosa do mundo ainda não parou de cair desde que se tornou público a suspeita de o Facebook ter usado indevidamente informações dos utilizadores durante a última campanha eleitoral nos Estados Unidos. Com o acumulado das duas últimas sessões de Wall Street, o Facebook já desvalorizou 12%, perdendo mais de 64 mil milhões de dólares.

Depois de encerrar a sessão de segunda-feira com a maior queda registada em quatro anos, superior a 6%, uma acção do Facebook vale esta terça-feira 163 dólares, o preço mais baixo desde o fim de Setembro de 2017. A cotada da bolsa de Nova Iorque encerrou a sessão com uma desvalorização superior a 5%.

“Ainda estamos a tentar perceber se o setor tecnológico ainda está sob pressão. O Facebook poderá ser uma história mais longa porque está ligado a uma história mais alargada de investigação”afirmou o chefe de estratégia de mercados da B. Riley FBR, Art Hogan, em declarações à agência Reuters.

O “caso Cambridge Analytica”, noticiado pelo jornal inglês “The Guardian” no sábado, 17, representa agora o maior escândalo a envolver a rede social criada por Mark Zuckerberg em 2004.

A Cambridge Analytica, uma empresa norte-americana de análise de dados, terá ajudado o republicano Donald Trump a vencer as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos, através da recolha de informação de cerca de 50 milhões de perfis no Facebook.

A empresa teria como objetivo recolher informação sobre os eleitores norte-americanos, de forma a conseguir dar resposta às suas necessidades e conquistar votos a favor de Donald Trump. Segundo Christopher Wylie, então funcionário,  a empresa “aproveitou o Facebook para recolher milhões de perfis e construir modelos de análise para direcionar conteúdos pensados nos seus maiores medos”.

A aplicação foi desenvolvida por Aleksandr Kogan, um estudante da Universidade de Cambridge, em colaboração com a Cambridge Analytica, e funcionaria apenas “para uso académico”. Contudo, a informação recolhida, sob a forma de um teste de personalidade, terá sido vendida para ajustar a campanha de Donald Trump às necessidades dos eleitores. A Cambridge Analytica trabalhava então com Steve Bannon, um dos principais conselheiros do magnata republicano durante a campanha eleitoral.

O Facebook assegurou, logo no sábado, que não houve falhas de segurança da rede social, tendo em conta que para a equipa de campanha de Donald Trump aceder à informação era necessário “o utilizador dar consentimento”. “Não há dúvidas de que não se tratou de uma violação de dados”, afirmou Andrew Bosworth, executivo de longa data do Facebook. “As pessoas optaram por partilhar os seus dados com aplicações de terceiros. Se essas aplicações não cumprissem os acordos com os utilizadores, aí sim seria uma violação”.

Ler mais

Relacionadas

“Convidamos Mark Zuckerberg para vir ao Parlamento Europeu”. Bruxelas quer explicações sobre uso de dados

Pedido surge numa altura em que têm saído notícias de que uma empresa com sede no Reino Unido, a Cambridge Analytica, usou indevidamente informação do Facebook para ajudar o candidato republicano Donald Trump a ganhar as presidenciais norte-americanas em 2016.

Zuckerberg poupou milhões ao vender ações do Facebook antes da queda de segunda-feira

As ações do Facebook registaram a maior quebra desde 2015, na segunda-feira, caindo 6,8%, para 172,56 dólares, depois de ter sido noticiado que a empresa de análise política Cambridge Analytica recolheu dados de 50 milhões de utilizadores da rede social, sem o seu consentimento.
Recomendadas

Indústria Alimentar: o caminho da digitalização

No contexto da Indústria Alimentar, as organizações para se adaptarem necessitam de investir, e, atualmente, as tecnologias digitais chave passam pela: Robótica, Serviços móveis, Tecnologia Cloud, Internet-of-Things, Cibersegurança, Big Data e Analítica avançada, Impressão 3D, Inteligência Artificial e Social Media. Os consumidores, também eles cada vez mais nativos digitais, ditam tendências e as indústrias adaptam-se, quer […]

Japão testa drones que transportam pessoas para diminuir o trânsito

Os responsáveis pelo projeto apontam que os drones tripulados poderão ser uma solução para combater o trânsito: “O Japão é um país com uma densidade populacional muito elevada, e como tal, carros voadores poderão ser a solução para diminuir o trânsito no país”.

Procrastinação ou a coragem de mudar

É preciso saber e decidir sem vacilar. Caso contrário, faremos parte das fotos guardadas no baú. Para mais tarde recordar.
Comentários