Famílias portuguesas não poupam, mas estão a reforçar investimento

Após uma ligeira subida no final de 2017, a taxa de poupança em Portugal voltou a cair no início do ano. Em sentido contrário, o investimento das famílias subiu graças a um maior acesso a informação.

A reduzida taxa de poupança em Portugal é um problema apontado por vários agentes do setor financeiro como penalizador para o país. Após o alento dado por uma ligeira subida no final de 2017, voltou a cair este ano. No entanto, o investimento dos agregados familiares seguiu uma tendência contrária.

“O perfil de investimento dos portugueses é muito conservador, contudo, tem vindo a diminuir a sua aversão ao risco ao longo do tempo. O aumento da literacia financeira e a oferta de produtos diversa tem contribuído para a diminuição da aversão. Cada vez temos clientes mais ciente dos tipos de riscos que toma”, explica Pedro Amorim, senior broker da XTB.

No primeiro trimestre do ano, o aumento dos encargos das famílias portuguesas com consumo foi superior ao crescimento dos rendimentos. A taxa de poupança caiu para 5,1%, em comparação com os 5,4% do último trimestre de 2018.

A recente queda deveu-se ao abrandamento do aumento de rendimento disponível, causado por alterações no pagamento de subsídios de férias e de natal com  a retirada do regime de duodécimos. No entanto, este não é um tema novo, e que Amorim atribui à mudança de estilo de vida. A maior poupança encontra-se na faixa entre os 20% e os 25 % das famílias com rendimentos mais elevados. Os que têm menos rendimentos registam níveis negativos de poupança o que contribuí para taxas baixas de poupança.

“Baixos rendimentos, alta carga fiscal, nova cultura de consumismo exagerada e facilidade de crédito (taxas de juro baixas também), estão no “saco das razões” que têm contribuído para esta tendência”.

A capacidade de financiamento das famílias desceu para 1,3% do produto interno bruto (PIB), mas o investimento subiu 2% no primeiro trimestre, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

“O investimento das famílias tem vindo a aumentar devido à facilidade de acesso à informação e das características dos produtos”, afirmou o senior broker da XTB, lembrando que o Parlamento Europeu aprovou a implementação dos Key Information Documents (KIDs) for Packaged Retail Investment Products (PRIPs). Estes documentos apresentam uma tabela de cenários que permite ao consumidor analisar os investimentos e fazer comparações no mesmo formato de apresentação.

As baixas taxas de poupança e as baixas taxas de investimento têm orientações diferentes e contraditórias, sendo que nenhuma leva à outra. A baixa taxa de poupança é benéfica para a economia, já que significa consumo e maior desenvolvimento das empresas. No entanto, se levar a um aumento das importações é negativo.

Já para o setor financeiro “é muito mau”, diz Amorim. “São menos passivos a entrar nos bancos para poder gerar mais ativos, isto é: menos depósitos (principalmente a médio-longo prazo) significa maior dificuldade de os bancos terem funding para aumentar os seus ativos (créditos)”.

Apesar de as baixas taxas de juro ajudarem os bancos a aumentar os ativos com o acesso ao mercado interbancário a taxas de juro negativas, o senior broker da XTB considera necessário impulsionar a poupança em Portugal.

“O aumento de rendimentos seria fundamental para isso acontecer”, afirma. “Podemos ter aumento das taxas de poupança se surgir uma nova crise nos próximos tempos, com o aumento do receio e dificuldade de acesso ao crédito. Contudo, o baixo rendimento disponível tem sido prejudicial. O nível de rendimentos ainda se situa ao mesmo nível de 2007-2008. Ou seja, vivemos uma década perdida no desenvolvimento. Os preços não têm parado de subir, mas os rendimentos não acompanham. O aumento dos preços do acesso à habitação nas grandes cidades portuguesas tem dificultado o desempenho do rendimento disponível”, acrescenta.

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