As ações europeias continuam a ser uma aposta de valores, mas há fatores geopolíticos que estão a corroer a confiança dos investidores, alerta Pedro Pintassilgo da corretora F&C. O diferendo zona euro vs Rússia, ou os processos independentistas da Escócia, entretanto resolvidos, e o da Catalunha, não são favoráveis a quem analisa o risco.
 

Foram estes desapontamentos que se foram desenvolvendo ao longo deste verão pouco quente em termos atmosféricos – mas que foi ao rubro em termos de banca, finanças e política –, e que Mário Pires, da Schroders diz terem levado o BCE a entrar em ação. O regulador europeu recorde-se, anunciou a compra de ativos do setor privado não financeiro e de obrigações de instituições financeiras da zona euro, as “covered bonds”. Estas iniciativas vão esbarrar em eventos externos, caso da Ucrânia.

No entanto, há notícias positivas para os mercados europeus. Pintassilgo afirma que os “stress tests” de outubro vão correr bem. Mário Pires é da mesma opinião. Diz esperar que o balanço positivo seja benéfico para os mercados de ações e crédito da zona euro. Pintassilgo diz que este facto vai permitir ao BCP aprofundar a política monetária e usar as munições não convencionais, corrigindo a deceção que tem sido o crescimento económico europeu.
 

O mesmo analista acredita que as ações europeias apresentam “um valor interessante”, e constituem uma “boa oferta num contexto de baixas taxas de juro”. Aliás, vários analistas têm frisado que se está perante um contexto favorável para as ações, desde que não se crie uma espiral inflacionista. Mário Pires recorda que há cerca de 600 mil milhões de euros nos balanços das empresas da zona euro e parte considerável pode ser devolvida aos investidores através da distribuição de dividendos ou da recompra de ações. Pires diz que mesmo com a estagnação do crescimento na zona euro, as empresas podem obter um crescimento adicional da ordem dos 10 a 12%. Diz ainda que as empresas poderão “tirar partido destes drivers para fazer crescer os ganhos que não dependem diretamente do contexto económico”.