Fed: Powell diz que “para já” espera continuar a subir taxas de juro nos EUA

Na audição semi-anual no Congresso, o presidente da Reserva Federal norte-americana mostrou-se confiante na robustez da economia dos EUA e defendeu que há um equilíbrio de riscos no país.

O presidente da Reserva Federal norte-americana mostrou-se confiante que a robustez da economia, mercado de trabalho e inflação nos EUA irão conduzir à continuação de subidas graduais das taxas de juro. No discurso inicial na audição semi-anual no Congresso, Jerome Powell afirmou que os riscos para o país estão “equilibrados”, sublinhando, no entanto, que os efeitos da guerra comercial são imprevisíveis.

“Com um mercado de trabalho forte, inflação próxima do objetivo [de 2%] e os riscos ao outlook equilibrados, o Federal Open Market Committee (FOMC) acredita – para já – que o melhor curso no futuro é continuar gradualmente a subir a federal funds rate“, afirmou Powell no Congresso.

Em junho, a Fed subiu a federal funds rate em 0,25 pontos base para um intervalo entre 1,75% e 2%. O aumento da taxa foi o sétimo desde 2015 e marcou uma mudança para uma postura normalizada, ou seja, em que a taxa de juros corresponde ao objetivo de subida dos preços. O consenso do mercado aponta para dois novos aumentos ainda este ano, mas há fatores de incertezas.

Os responsáveis de política monetária dos EUA têm um mandato duplo, que se prende com a inflação e o pleno emprego. Em junho, a inflação global acelerou 2,9% e a inflação subjacente 2,3%. Já o emprego, caiu nesse mês para 4%, o valor mais baixo em quase duas décadas. A expetativa da Fed é que a economia norte-americana continue a crescer a “um ritmo sólido”.

Powell reconheceu, no entanto, que o desempenho económico poderá ser menos robusto que o esperado. “Por exemplo, é difícil de prever o resultado último das discussões atuais sobre política comercial bem como o momento e o montante dos efeitos económicos das recentes mudanças na política orçamental”, explicou o presidente da Fed.

Com a aplicação de tarifas à importação de produtos estrangeiros por parte dos EUA e a subida dos preços do petróleo, vários produtos ficarão mais caros para os consumidores e a expetativa é que a inflação suba ainda mais. A dúvida é se a aceleração irá levar a Fed a aumentar a federal funds rate ainda mais depressa.

“Estamos conscientes que, por um lado, subir as taxas de juro demasiado devagar pode conduzir a inflação elevada ou excessos os mercados financeiros. Por outro lado, se subirmos as taxas demasiado depressa, a economia poderá enfraquecer e a inflação poderá manter-se persistentemente abaixo do objetivo”, sublinhou.

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