Fed: Powell vai ao teste do Congresso entre pressões de inflação e guerra comercial

O presidente da Reserva Federal norte-americana vai esta terça e quarta-feira à audição semi-anual no Congresso, onde deverá ser questionado sobre a menor regulamentação dos bancos e curso da política monetária.

O presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana vai, esta terça e quarta-feira, ser ouvido no Congresso norte-americano, onde deverá ser questionado sobre os riscos atuais para a política monetária nos EUA. Face à escalada da inflação e das tensões comerciais, os investidores estarão atentos a se Jerome Powell irá mostrar mais cautela do que a habitual posição de que a economia continua robusta.

O testemunho semi-anual da Fed costuma ser composto por revisões das últimas decisões de política monetária e frases standard. No entanto, desta vez poderá ser diferente.

Esta terça-feira, os democratas do Comité Bancário do Senado deverão questionar sobre a recente aplicação menos rígida da regulamentação bancária. Nos testes de stress anuais, a Fed atribuiu aprovação condicionada aos planos de capital do Goldman Sachs e Morgan Stanley apesar de terem ficado, tecnicamente, abaixo dos requisitos do banco central.

No dia seguinte, é a vez de os membros do Comité dos Serviços Financeiros colocarem questões e os temas deverão focar como a Fed irá proceder nos próximos meses face aos riscos atuais.

“Penso que a economia está num ponto realmente bom”, afirmou Powell, numa entrevista, na semana passada. O presidente da Fed poderá manter o discurso, mas deverá ser complicado não reconhecer a aceleração da inflação. Em junho, a inflação global acelerou 2,9% e a inflação subjacente 2,3%, afastando-se da meta de 2% da Fed.

Com a aplicação de tarifas à importação de produtos estrangeiros por parte dos EUA e a subida dos preços do petróleo, vários produtos ficarão mais caros para os consumidores e a expetativa é que a inflação suba ainda mais. A dúvida é se a aceleração irá levar a Fed a aumentar a federal funds rate ainda mais depressa.

Em junho, a Fed subiu a federal funds rate em 0,25 pontos base para um intervalo entre 1,75% e 2%. O aumento da taxa foi o sétimo desde 2015 e marcou uma mudança para uma postura normalizada, ou seja, em que a taxa de juros corresponde ao objetivo de subida dos preços. O consenso do mercado aponta para dois novos aumentos ainda este ano, mas há fatores de incertezas.

Powell, que chegou à liderança da Fed no início do ano, tem sido obrigado a lidar com forças contrárias graças a políticas da administração de Donald Trump. Por um lado, a reforma dos impostos e investimento público impulsionam a economia, mas, por outro, as tensões comerciais aumentam a incerteza e arriscam penalizar a economia global.

O presidente da Fed já reconheceu que a guerra comercial é um risco, mas tem sempre defendido que ainda não há informações suficientes para perceber o impacto. Esta terça e quarta-feira poderá dar mais informações sobre como as preocupações poderão influenciar a política monetária dos EUA.

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