FMI alerta para os riscos da Grécia antes de saída do programa de ajuda externa

Saída do programa de assistência financeira, que incluiu três pacotes de ajuda desde 2010, está marcado para dia 20 de agosto. O FMI concluiu, na semana passada, uma avaliação ao país.

Os riscos domésticos e internacionais para a Grécia são elevados e comprometem a saída do país do programa de ajuda externa, segundo o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado esta terça-feira e que conclui a avaliação no âmbito do artigo IV. A pouco mais de uma semana de o programa ser finalizado, a perspetiva da instituição é pessimista.

“Espera-se que a recuperação se fortaleça a médio prazo, com o crescimento projetado de 2% este ano e 2,4% em 2019, e com o desemprego a diminuir à medida que o diferencial do produto reduz”, refere o relatório do FMI.

“No entanto, os riscos internos e externos apontam para uma evolução desfavorável, incluindo de um crescimento mais lento dos parceiros comerciais, condições de financiamento globais mais apertadas, instabilidade regional, calendário político doméstico e riscos de fatiga das reformas”, alerta.

Além disso, considera que, a longo prazo, o envelhecimento da população deverá pesar no potencial crescimento, aumentando a necessidade de fomentar a produtividade.

Após uma contração económica profunda e prolongada, o crescimento voltou à Grécia no ano passado, em que registou uma expansão do produto interno bruto (PIB) real de 1,4%. O país foi impulsionado pelo crescimento dos parceiros europeus. No entanto, mantém-se os legados da crise, incluindo o elevado desemprego, bem como o endividamento público e privado.

A saída do programa de assistência financeira, que incluiu três pacotes de ajuda desde 2010, está marcado para dia 20 de agosto. O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, anunciou no mês passado que os países da zona do euro devem desembolsar um empréstimo de 15 mil milhões de euros à Grécia no próximo mês.

“Apesar de a recuperação estar em curso, os diretores [do FMI] salientaram que os legados significativos da crise e as pressões sociais permanecem, e os riscos para o outlook permanecem negativos”, explica o relatório.

Para resolver esses problemas, estimularam esforços adicionais para reequilibrar a política orçamental, fortalecer os balanços dos bancos e reformar os mercados de produtividade e trabalho para impulsionar o crescimento sustentável e inclusivo. Concordaram ainda que, dado o ajuste significativo até o momento, não é necessária maior consolidação fiscal.

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