FMI reduz previsão de crescimento da zona euro para 2,2% este ano

Na atualização do World Economic Outlook, a instituição manteve-se a previsão de crescimento global de 3,9% este ano e no próximo. Está, no entanto, menos otimista em relação às economias desenvolvidas, especialmente devido à zona euro e Japão.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está menos confiante no crescimento económico da zona euro, Reino Unido e Japão. Na atualização do World Economic Outlook (WEO), publicado esta segunda-feira, a instituição liderada por Christine Lagarde reviu em baixa a projeção de expansão do produto interno bruto (PIB) das três regiões, tendo mantido inalterada a previsão para a economia global.

“O crescimento na economia da zona euro deverá abrandar gradualmente de 2,4% em 2017 para 2,2% em 2018 e para 1,9% em 2019 (uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais para 2018 e 0,1 pontos percentuais para 2019 em comparação com o WEO de abril)”, anunciou o FMI.

“As projeções para o crescimento de 2018 foram revistas em baixa na Alemanha e em França depois de um abrandamento da atividade acima do esperado no primeiro trimestre, e em Itália, onde os spreads soberanos mais alargados e as condições financeiras mais rígidas face à recente incerteza política deverão pesar sobre a procura doméstica”, explicou.

Crescimento dos EUA mantém-se robusto

Além da zona euro, entre os países desenvolvidos, o FMI reviu em baixa as projeções de crescimento do Reino Unido e Japão, que espera que cresçam 1,4% e 1%, respetivamente, este ano. Segundo a instituição, também nestes dois casos, a razão foi um crescimento abaixo do esperado no início de 2018.

“Espera-se que o crescimento das economias avançadas permaneça acima da tendência de 2,4% em 2018 – semelhante a 2017 – antes de diminuir para 2,2% em 2019. A previsão para 2018 é menor em 0,1 ponto percentual em relação ao WEO de abril, refletindo em grande parte a esperada moderação do crescimento da zona euro e do Japão após vários trimestres de crescimento acima do potencial”, referiu o FMI.

Para os Estados Unidos, o FMI espera que o impulso económico de curto prazo se fortaleça temporariamente em linha com a previsão de abril (com um crescimento de 2,9% em 2018 e 2,7% em 2019). No entanto, a médio prazo, há riscos.

“O estímulo orçamental substancial associado à procura final privada já robusta irá aumentar a produção acima do potencial e reduzir a taxa de desemprego abaixo dos níveis registrados pela última vez há 50 anos, criando pressões inflacionárias adicionais. As importações deverão recuperar com a procura interna mais forte, aumentando o défice em conta corrente dos EUA e ampliando os desequilíbrios globais em excesso”, explica o relatório.

Tensões comerciais e petróleo pressionam emergentes

Entre os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, as perspetivas de crescimento também estão a tornar-se mais irregulares, devido ao aumento dos preços do petróleo. A pressionar estes países estão também o aumento das tensões comerciais e as pressões do mercado sobre as moedas de algumas economias com fundamentos mais fracos. Foram, por isso, reduzidas as projeções de crescimento da Argentina, Brasil e Índia. Em sentido contrário, o FMI está mais otimista em relação aos países exportadores de petróleo.

Apesar das revisões em baixa das estimativas de crescimento de vários países, a projeção para o crescimento global mantém-se inalterada. O FMI estima que o PIB mundial expanda 3,9% tanto este ano como no próximo.

“Enquanto a previsão para o crescimento global permanece praticamente inalterada, a balança de riscos tem mudado para baixo no curto prazo e, como no WEO de abril de 2018, permanece distorcido no médio prazo”, alertou o FMI.

“A possibilidade de crescimento mais acelerado do que o previsto diminuiu um pouco face a fracos resultados do primeiro trimestre em várias grandes economias, da moderação dos indicadores económicos de alta frequência e das condições financeiras mais restritivas em algumas economias vulneráveis. Os riscos negativos, por outro lado, tornaram-se mais evidentes, principalmente as possibilidades de ações comerciais crescentes e sustentadas e de condições financeiras globais mais rígidas”, acrescentou.

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