Francisco Assis quer PS a governar sozinho, sem entendimentos preferenciais

“A solução [de Governo] é má, mas o primeiro-ministro é bom. Imagino o grande primeiro-ministro que poderás ser sem esta limitação da geringonça”, disse Francisco Assis, dirigindo-se a António Costa.

O eurodeputado socialista Francisco Assis considerou este sábado que o PS deve governar sozinho na próxima legislatura, sem “constrangimentos” de aliados preferenciais, como forma de recuperar a sua autonomia estratégica, num discurso marcado por elogios a António Costa.

Neste Congresso da Batalha, distrito de Leiria, a intervenção de hoje de Francisco Assis foi mais aplaudida do que aquela que proferiu na reunião magna de 2016, apesar de ter voltado também desta vez a criticar a solução política deste Governo suportado no parlamento pelo Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

Desta vez, para não ouvir apupos dos delegados socialistas, como em 2016, Assis misturou as suas objeções à solução de Governo apoiado pela esquerda com referências às qualidades pessoais do secretário-geral do PS e primeiro-ministro.

“A solução [de Governo] é má, mas o primeiro-ministro é bom. Imagino o grande primeiro-ministro que poderás ser sem esta limitação da geringonça”, disse, dirigindo-se a António Costa, que se riu com as palavras do antigo líder parlamentar socialista e um dos rostos do PS que representam a ala direita deste partido.

A intervenção de Francisco Assis foi também marcada por uma breve picardia com o presidente da Mesa do Congresso, Carlos César, depois de este o ter advertido que a sua intervenção já ia em oito minutos, em vez dos três estipulados.

“Carlos César, há quatro anos não usei da palavra. Fica a contar esse tempo. É uma devolução do tempo que não me deste há quatro anos”, reagiu Francisco Assis, numa alusão ao diferendo que o levou a abandonar sem falar esse Congresso de 2014 na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

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