Guerra comercial põe ações dos mercados emergentes a preço de saldo

“As avaliações das ações dos mercados emergentes (ME) tornaram-se desconexas dos fundamentos fortes, acreditamos, e oferecem uma compensação atraente para o risco”, afirmou o estrategista-chefe da BlackRock.

Eduardo Munoz/Reuters

Condições financeiras mais estreitas e tensões comerciais entre EUA e China aumentaram os riscos das ações dos mercados emergentes e levaram a uma desconexão entre avaliações e fundamentos, segundo Richard Turnill, estrategista-chefe de investimento global da gestora de ativos BlackRock.

“As avaliações das ações dos mercados emergentes (ME) tornaram-se desconexas dos fundamentos fortes, acreditamos, e oferecem uma compensação atraente para o risco”, afirmou Turnill, numa nota de research intitulada “Ações EM em saldo?”.

“O abalo nas ações de mercados emergentes criou valor num mundo onde o valor de boa qualidade é escasso”, referiu. O estrategista da gestora de ativos considera que os títulos destes mercados enfrentam maiores, como o aperto das condições financeiras e as ondulações das tensões comerciais entre os EUA e a China. No entanto, sublinha que as avaliações atuais e o forte crescimento dos lucros são suficientes para oferecer compensações aos investidores.

Apesar da ligeira recuperação nas últimas semanas, as ações dos mercados emergentes acumulam, em média, uma queda de quase 15% face aos máximos do ano, em janeiro. “A situação deixou as avaliações em 11,3 vezes os lucros futuros, um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos”, afirmou Turnill.

As estimativas da BlackRock para o crescimento do lucro por ação (EPS) dos mercados emergentes é de 13,4%, acima da média no mesmo período. As projeções de crescimento de EM para este ano e para 2019 foram revistas em alta, desde o início de 2018, “o que implica que as perspetivas para as ações de ME podem ser mais claras do que as avaliações atuais sugerem”, acrescentou.

Fonte: BlackRock

Ler mais

Relacionadas

Restrições ao comércio ameaçam crescimento económico, diz Banco Mundial

As restrições ao comércio entre as maiores economias são uma ameaça para o crescimento económico global, afetando a confiança e o investimento em todo o mundo, considera um economista do Banco Mundial.

Reformas estruturais em Marrocos evidenciam potencial de crescimento e investimento, prevê CyC

Marrocos está a realizar um conjunto de reformas estruturais no sentido de desenvolver setores orientados para a exportação e um quadro fiscal favorável à atração de investimentos.

Países do G20 alertam para ameaça das tensões comerciais no crescimento mundial

No comunicado final da reunião, que se iniciou sábado e terminou este domingo, os participantes reconheceram também a necessidade de “reforçar o diálogo e as ações para limitar os riscos, e reforçar a confiança” nas economias dos países.
Recomendadas

PSI 20 acompanha Europa em alta. Títulos do Grupo EDP impulsionam praça nacional

O principal índice bolsista português soma 0,46%, para 4.855,54 pontos.

Abrandamento da economia poderá ser entrave para Moody’s igualar as pares na avaliação de Portugal

A Moody’s tem agendada uma avaliação à notação da dívida soberana portuguesa esta sexta-feira. A agência poderá querer alinhar-se com a S&P e a Fitch através de uma subida de um grau para ‘Baa2’, mas as incertezas que estão a esfriar o crescimento da economia global poderão ser motivo para manter o ‘status quo’.

Acalmia cambial trouxe bons resultados em Wall Street

O índice tecnológico S&P, .SPL.RCT, que inclui empresas que têm uma maior exposição ao mercado chinês e estiveram no centro das vendas registadas na segunda-feira, foi aquele que mais valorizou nesta sessão, com um crescimento de 1,61%.
Comentários