Guerra comercial põe em risco a recuperação económica global, alerta FMI

As medidas protecionistas por parte dos EUA podem, segundo o FMI, “inviabilizar a recuperação e deprimir as perspetivas de crescimento a médio prazo”, tanto devido ao impacto direto na alocação de recursos e produtividade, como através do aumento da incerteza e efeitos prejudiciais no investimento.

Bogdan Cristel/Reuters

A recuperação económica está mais desequilibrada e os riscos para o crescimento global estão mais acentuados, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que aponta para o protecionismo comercial por parte dos EUA como a principal preocupação.

“A balança de riscos transitou ainda mais para o lado negativo, inclusivamente a curto prazo”, refere o FMI, na atualização do World Economic Outlook (WEO), publicada esta segunda-feira. “Os recentes aumentos de tarifas anunciados e previstos pelos Estados Unidos e medidas de retaliação por parceiros comerciais aumentaram a probabilidade de ações comerciais crescentes e sustentáveis”.

As medidas protecionistas podem, segundo o FMI, “inviabilizar a recuperação e deprimir as perspetivas de crescimento a médio prazo”, tanto devido ao impacto direto na alocação de recursos e produtividade, como através de um aumento da incerteza e efeitos prejudiciais no investimento.

Enquanto as condições do mercado financeiro permanecem favoráveis nas economias avançadas – com spreads limitados, avaliações esticadas em alguns mercados e baixa volatilidade -, a instituição alerta que a situação poderá mudar rapidamente caso haja um aumento das tensões e conflitos comerciais. Também questões geopolíticas e crescente incerteza política são apontadas como riscos.

“Evitar medidas protecionistas e encontrar uma solução cooperativa que promova o crescimento contínuo do comércio de bens e serviços continua a ser essencial para preservar a expansão global. Políticas e reformas devem visar sustentar a atividade, elevar o crescimento no médio prazo e melhorar a inclusão”, alerta o FMI, acrescentando ser necessário que os países reconstruam almofadas orçamentais para se prepararem para a próxima crise e fortalecerem a resiliência financeira.

Apesar do discurso pleno de alertas em relação aos riscos globais, o FMI manteve a estimativa de crescimento económico inalterada em relação à última projeção (de abril). A economia global deverá crescer 3,9% tanto este ano como no próximo, ainda que o ritmo de expansão já tenha chegado ao pico em algumas economias e seja agora menos sincronizado.

“O crescimento da procura interna (especialmente o investimento, que tem sido uma parte importante da recuperação global) deverá continuar com um ritmo forte, mesmo com a desaceleração do crescimento global da produção nalguns casos em que esteve acima da tendência ao longo de vários trimestres”, justifica o FMI para manter a estimativa.

“Na previsão de base, espera-se que os efeitos contracionistas diretos das medidas comerciais anunciadas e antecipadas sejam pequenos, uma vez que essas medidas afetam apenas uma parcela muito pequena do comércio global até o momento. A previsão de referência também pressupõe spillovers limitados no sentimento do mercado, mesmo que a escalada das tensões comerciais seja um importante risco de queda”, acrescentou.

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