Guerra comercial: Trump ataca o mundo e penaliza empresas norte-americanas

Os mercados assustaram-se com as ameaças do presidente dos Estados Unidos, mas o efeito foi passageiro. Os investidores já duvidam que Donald Trump concretize as ameaças e, mesmo que o faça, o impacto poderá não ser assim tão expressivo.

Donald Trump ameaçou abrir uma guerra comercial contra o mundo e os mercados reagiram de forma expressiva, com as ações a caírem a fundo e o dólar a desvalorizar, na sexta-feira. O efeito estendeu-se ao início do dia de segunda-feira, mas nem chegou ao fim da sessão. Os investidores já duvidam que o presidente dos Estados Unidos concretize as ameaças e, mesmo que o faça, o impacto poderá não ser assim tão expressivo.

Após perdas expressivas nas ações de fabricantes de aço na sexta-feira (tendência que alastrou a setores como o automóvel ou da aviação), esta segunda-feira já foi de recuperação. Mais na Europa, que nos EUA.

“Está a ganhar confiança [a ideia] que isto pode não acontecer realmente”, afirmou Jeffrey Carbone, managing partner da Cornerstone Financial Partners, em declarações à agência Reuters. Donald Trump foi ao Twitter dizer que o Canadá e o México poderão ganhar isenções, se assinassem um novo acordo comercial para Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), levando os investidores a colocarem a hipótese que poderia apenas querer uma arma de negociação.

Mesmo que se concretize, o impacto poderá ainda não ser para já. A Moody’s avaliou a hipótese como sendo negativa para as empresas europeias do setor, mas explicou que apenas a longo prazo.

“A tarifa, que deverá estar em vigor vários anos, é negativo para o crédito da indústria siderúrgica europeia. Isto porque limitaria o acesso dos produtores a um dos maiores mercados de exportação e também poderia encorajar mais importações para a Europa a partir de países que procuram reorientar aço mais barato dos EUA. No entanto, a tarifa não deve ter um impacto imediato nas siderúrgicas europeias que classificamos porque geram a maior parte das receitas nos EUA das usinas de aço nos EUA, e não do aço que exportam para o país”, explicou a agência de notação financeira.

Para já, as ações da segunda maior produtora europeia de aço, a ThyssenKrupp avançaram 0,57% para 21,05 euros, enquanto a terceira maior, a também alemã Salzgitter, valorizou 0,51% para 43,65 euros. As duas empresas tinham caído 4,65% e 3,38%, respetivamente, na sexta-feira.

A maior produtora, a ArcelorMittal, tomou uma posição contrária à do setor e defendeu, após o anúncio de Trump poderia ser benéfico para combater o excesso de oferta no mercado. Apesar de terem desvalorizado, as ações da empresa também corrigiram, tendo recuado 0,79% para 26,48 euros, após um tombo de 4,65% na sexta-feira.

“As empresas mineiras recuperaram parte do terreno que perderam na semana passada na sequência da decisão do Presidente Donald Trump de introduzir novas tarifas alfandegárias sobre o aço e o alumínio está a ter repercussões à escala mundial”, explicaram os analistas do BPI.

Do lado norte-americano, as ações da United States Steel Corporation caíram 1,41% para 44,75 dólares e a Steel Dynamics perdeu 2,11%.

“Já os fabricantes de automóveis, utilizadores intensos dessas matérias-primas nos seus processos produtivos, ainda continuaram a reagir negativamente à referida decisão de Donald Trump, terminando com perdas em torno dos 0,50%”, acrescentaram, sobre um setor que registou perdas de 2%, na sexta-feira.

As ações da Volkswagen caíram 0,14% e as da Daimler 0,06%, contra 2% e 2,2%, respetivamente na sexta-feira). No campo da aviação – outro setor altamente dependente das matérias-primas – a Airbus valorizou 1,92% e a Dassault Aviation avançou 0,58%, face às perdas de 2,8% e 2,21%, de sexta-feira.

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