Há 27 novas medidas de proteção das comunicações em incêndios

‘Roaming’ nacional para situações de emergência, bem como a utilização de ondas de rádio ou de satélites para garantir comunicações alternativas em caso de destruição da rede tradicional por incêndios, foram propostas da ANACOM esta terça-feira.

A Anacom defendeu esta terça-feira a possibilidade de um ‘roaming’ nacional para situações de emergência, bem como a utilização de ondas de radio ou de satélites para garantir comunicações alternativas em caso de destruição da rede tradicional por incêndios.

Estas medidas, nomeadamente o recurso a uma lógica de ‘roaming’ nacional – a possibilidade de acesso à melhor rede móvel disponível, independentemente do operador -, poderiam ser uma solução em caso de incêndio ou outras catástrofes, disse o presidente da Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM) aos jornalistas após a apresentação de um relatório coordenado por esta entidade, com a participação de operadores e outros organismos.

O documento contém 27 medidas destinadas a proteger e melhorar a rede de infraestruturas de comunicações eletrónicas, em situação de incêndios florestais, entre elas a criação de traçados subterrâneos.

A medida é recomendada quando forem realizados trabalhos de reconversão da rede por parte dos operadores e é também solicitado às autarquias que contemplem a criação de um canal técnico sempre que forem feitas obras nas estradas, seja de construção ou reconversão.

Os postes de madeira que sustêm ligações de fios ou cabos podem também ser feitos de um material resistente aos incêndios, exemplificou o presidente da Anacom, João Cadete de Matos.

A equipa técnica que elaborou o trabalho, recomenda uma faixa de limpeza em torno dos sítios onde existam instalações de comunicações, com desbastes de copas das árvores e pavimentação em redor da vedação, pelo exterior, com uma largura mínima de um a dois metros.

Deve ser removida a vegetação em redor da estação de radiocomunicações, numa faixa de 50 metros, de acordo com o documento, entregue esta terça-feira ao secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme Martins, e ao deputado Helder Amaral, em representação da Assembleia da República.

A Anacom vai agora trabalhar cada uma das medidas no sentido de apresentar propostas às diferentes entidades com responsabilidades na matéria, nomeadamente ao governo, parlamento e outros agentes, indicou o presidente da Autoridade Nacional.

O grupo de trabalho integrou representantes da Proteção Civil, da Direção Geral de Energia e Geologia, da EDP Distribuição, da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), da Infraestruturas de Portugal, da Rede Elétrica Nacional (REN) e operadoras de redes móveis.

O objetivo é encontrar soluções para melhorar a proteção das redes de telecomunicações em caso de incêndios florestais.

Os feixes hertzianos são propostos como alternativa ao traçado de cabo aéreo, mas têm limitações ao nível da capacidade, comparativamente à fibra ótica, pelo que devem ser usados em “redundância”, segundo os peritos.

Permitem, no entanto, a criação de uma rede de transmissão “com baixo risco de ser afetada” por incêndios ou outro tipo de desastres naturais, lê-se no relatório.

O satélite é também encarado, mas como solução de recurso devido aos elevados custos e limitações neste tipo de comunicação.

É igualmente recomendada a instalação de sensores automáticos nos locais onde existam estruturas base de comunicações.

O relatório incide sobre redes e serviços públicos de comunicações eletrónicas. Não estão incluídas redes e serviços de comunicações de segurança e emergência.

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