Haitong agrava prejuízos para 130,2 milhões em 2017

O banco justifica o aumento dos prejuízos em 2017 com o processo de transição para o novo modelo de negócio que “continuou ao longo do ano de 2017, juntamente com a redução dos custos operacionais e a reestruturação do balanço”.

O Haitong Bank revelou no site da CMVM as suas contas consolidadas de 2017, apresentando um prejuízo de 130 milhões de euros, um agravamento 35,4% dos resultados líquidos negativos, uma quebra de 24,2% do produto bancário (isto apesar das comissões terem subido 65,0%), uma queda da margem financeira (diferença entre juros pagos e juros recebidos) de 13,2%, uma redução de 25% da sua carteira de crédito e imparidades no montante de 86,5 milhões de euros (+50% do que em 2016). Os recursos de clientes também caíram (-29,9%).

Os custos subiram 5,5% face a 2016, sobretudo devido ao aumento dos custos com pessoal, que escalaram 13,3%. Isto deve-se ao processo de reestruturação por que passou o banco, o que implica as necessárias indemnizações. O banco diz no relatório que  o montante de custos que soma 126 milhões de euros em 2017 inclui um custo extraordinário, no montante de 50 milhões de euros, decorrente do plano de reestruturação implementado em 2017. “Desta forma, a base de custos recorrentes é agora significativamente menor do que a verificada no ano passado, um passo crucial para que o Banco volte a registar resultados operacionais positivos”, diz o Haitong.

O banco liderado pelo chinês Lin Yon e por Wu Min (ao comando da Comissão Executiva) explica o aumento dos prejuízos com “o processo de transição para o novo modelo de negócio que continuou ao longo do ano de 2017, juntamente com a redução dos custos operacionais e a reestruturação do balanço”. Diz o banco que “estas iniciativas, essenciais para o futuro do Haitong Bank, foram responsáveis pelo significativo prejuízo registado no ano, não só devido ao registo de custos de restruturação não recorrentes mas também ao impacto negativo nas receitas resultante do reposicionamento do negócio”.

O Banco diz que “tem vindo a implementar a sua estratégia de ângulo chinês, através do desenvolvimento de negócios relacionados com a China”. No entanto não tem estado na assessoria financeira das operações da EDP, cujo maior acionista é a China Three Gorges.

O Haitong justifica prejuízos com o modelo de negócio anterior. “O Banco mantém sob gestão um portfólio de crédito de longo prazo decorrente da estratégia de negócio anterior. Os prejuízos do exercício, no montante de 130 milhões de euros, foram penalizados pela deterioração desta carteira de crédito, que conduziu a imparidades e provisões adicionais no montante de 86 milhões de euros em 201”, escreve o banco. No entanto, “foram visíveis algumas melhorias durante o ano, nomeadamente uma redução de 42% no stock de crédito com incumprimento”, conclui.

O banco diz ainda que  “os activos financeiros detidos para negociação registaram uma quebra de 56% em 2017, resultante de uma redução prudente do balanço devido às restrições de capital. A indisponibilidade de capital para investir em novos activos explica, em parte, a descida das receitas”.

A necessidade de manter a base de capital acima dos requisitos regulamentares levou ao apoio adicional do acionista. “Assim, foram realizados diversos aumentos de capital no montante total de 419 milhões de euros (200 milhões de euros em novos fundos e 219 milhões de euros através da conversão em capital de 80 milhões de euros em instrumentos AT1 e de 139 milhões de euros de um empréstimo accionista)”.

Diz o banco que estas operações permitiram ao Haitong Bank atingir uma base de capital sólida no final de 2017. O banco aparece agora com um rácio de CET1 de 21,2% (phase-in) e 20,3% (fully loaded).

O Haitong anunciou hoje uma emissão de dívida perpétua elegível para Additional Tier 1, no valor de 130 milhões de dólares (105 milhões de euros).

Os Chairman e CEO do banco fazem uma mensagem conjunta no relatório em que se afirma “firmemente empenhados em cumprir as nossas prioridades: recuperar a actividade; melhorar os fluxos de negócio relacionados com a China; e reforçar continuamente o governo da sociedade e o seu capital humano”.

“A crescente proeminência da China como potência económica, a nível global, representa uma enorme oportunidade para o Haitong Bank”, dizem. “Em termos estratégicos, o Banco pretende explorar os fluxos de negócio entre a China e a Europa e entre a China e a América Latina, capitalizando no seu posicionamento competitivo nesses mercados”, adiantam.

O banco tem sucursais em Espanha, Polónia e Londres e tem uma filial no Brasil e uma capital de risco em Portugal, para além de uma filial na Irlanda e uma sucursal em Cayman.

“Os progressos alcançados até agora permitem-nos estar optimistas quanto ao futuro da organização. Desde a nossa entrada em funções, no quarto trimestre de 2017, o Haitong Bank tem registado consistentemente resultados operacionais mensais positivos”, dizem.

“Até ao momento, os sinais recebidos são encorajadores, sobretudo a melhoria por parte da S&P do outlook do rating do Banco, de negativo para estável. Embora estejamos plenamente conscientes dos grandes desafios que nos esperam, estes sinais demonstram que estamos no caminho certo”, revelam.

“O Haitong Bank está num momento decisivo para o seu desenvolvimento futuro. Depois de, em 2017, levar a cabo o seu reposicionamento estratégico e ajustamento operacional, o Haitong Bank ocupa hoje uma posição bem definida no seio do Grupo Haitong, a de unidade especializada em Corporate and Investment Banking e plataforma de Broad Asset Management”.

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