Humanos contra máquinas

No início de 2016, os mercados acionistas registaram quedas acentuadas num espaço de poucos dias devido a receios de um abrandamento demasiado rápido da economia chinesa. Poucos dias depois houve um analista que publicou uma fotografia que mostrava o “pânico” que Wall Street viveu nesses dias: simplesmente um armazém de servidores. Engraçado e astuto.

Uma das principais tendências que tem afetado o setor financeiro ao longo das últimas décadas é a crescente automatização da negociação de ativos financeiros. Os humanos definem um conjunto de critérios/regras (um algoritmo) que determinam quando é que os ativos devem ser comprados ou vendidos.

Um computador simplesmente executa, emitindo ordens de compra e venda automaticamente quando os critérios para tal sejam satisfeitos, sem intervenção humana. O peso das ordens enviadas por algoritmos chegou a um pico de quase 60% do total do volume de negociação em 2010, mas tem vindo a cair desde aí, em parte devido às novas regulações para este tipo de negociação.

Não obstante, a popularidade das estratégias sistemáticas tem vindo sempre a crescer. Principalmente depois dos algoritmos terem subido um degrau na escala de complexidade, ao ganharem a capacidade de aprender. Não só executam estratégias de forma sistemática, segundo determinadas regras, como analisam os resultados dessas estratégias e ajustam-nas para obter melhores resultados.

A capacidade dos computadores para processar dados é milhões de vezes superior à dos seres humanos. Se são capazes de processar dados muito melhor que nós, enviar ordens para a bolsa segundo determinadas estratégias, aprender com os resultados e melhorá-las, onde entramos nós, os humanos? Continuamos a ser úteis no processo de decisão de alocação de capitais?

Os computadores são uma invenção absolutamente extraordinária. Estão no centro de quase todas inovações tecnológicas de todos os campos científicos, onde a observação e a experimentação são a base do desenvolvimento. Mas os mercados financeiros não são uma ciência, dependem do que vai acontecer no futuro.

A história é um bom começo para perceber o futuro e, nesse sentido, podemos dizer que a análise de dados é uma forma útil de começar a visualizá-lo. Mas para formarmos uma ideia sólida acerca do futuro temos que ir para além dos dados.

A maior parte das dinâmicas importantes em termos empresariais, económicos, políticos ou tecnológicos não se materializam em dados até tarde no seu percurso. Para visualizá-las precisamos de algo que os computadores (ainda) não têm e que na verdade é o que nos distingue enquanto seres humanos. Precisamos de imaginação.

Einstein disse que a informação não é conhecimento e que o conhecimento não é tão importante como a imaginação. Acho que isso se aplica na perfeição nos mercados financeiros.

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