ICO portuguesa: Baixa procura leva Bityond a prolongar oferta de criptomoeda

O fundador da Bityond decidiu prolongar a oferta por não ter conseguido atingir o valor procurado. Pedro Febrero explicou que a ICO continua até 15 de setembro e continua confiante em relação ao resultado final.

Cristina Bernardo

A primeira initial coin offering (ICO) realizada a partir de Portugal tinha data marcada para terminar no passado domingo, mas foi prolongada mais dois meses. O fundador da Bityond, Pedro Febrero explicou ao Jornal Económico que, como o valor procurado não foi atingido no período esperado, a oferta irá continuar disponível até dia 15 de setembro.

A Bityond, empresa que consiste numa plataforma de recrutamento e gestão de talento, pretende financiar-se até 400 ethereum com o objetivo de desenvolver a plataforma. A primeira ICO realizada a partir de Portugal ficou disponível à meia noite de dia 15 de maio e estava prevista durante 60 dias, ou seja, até dia 15 de julho.

“Neste momento temos nove investidores diferentes e um valor total de 19 eth investidos”, explicou Febrero. À cotação atual da criptomoeda (472 dólares por ethereum), significa que terão sido levantados cerca de 8.973 dólares. A paridade com o dólar é, no entanto, apenas indicativa dada a volatilidade do valor da criptomoeda, que cotava próxima dos 700 dólares no início da operação.

O fundador da Bityond decidiu prolongar a oferta por não ter conseguido atingir o valor procurado. Pedro Febrero explicou que contactou os investidores já existentes e não houve objeções a aumentar o tempo de oferta, de modo a conseguir mais financiamento, sendo que o empresário se mantém confiante em relação ao resultado final da ICO.

“Tendo em conta que a expetativa de mercado é de uma entrada de dinheiro nas próximas semanas, contamos com um aumento do número de investidores. Caso não consigamos até dia 15 de setembro, reavaliamos a situação. Em todo o caso a expetativa é que termine no dia proposto e que sejam lançados os tokens“, acrescentou.

A Bityond é uma plataforma de recrutamento que quer fazer ‘match’ entre pessoas que procuram emprego e empresas que precisam de funcionários. Pioneira em termos de inovação tecnológica, a empresa portuguesa, que inaugurou o site em maio de 2015, está a preparar o lançamento da versão 2.0.

Os investidores que comprem os tokens terão direito a duas contrapartidas: direito de voto em novos desenvolvimentos da plataforma e direito de gastar ou doar tokens para concretizar os desenvolvimentos propostos ou em serviços analíticos da plataforma.

Esta não é a primeira empresa nacional a realizar uma ICO, que se assemelha a uma Oferta Pública Inicial (IPO), mas em versão de criptomoeda em vez de ações. No entanto, foi a primeira a querer fazê-lo a partir de Portugal, o que captou a atenção da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O objetivo era iniciar a ICO no dia 1 de maio, mas, a pedido do regulador, a Bityond adiou a operação durante duas semanas. Ao longo deste tempo, esteve a fazer alterações que a CMVM considerou necessários à transparência da operação. A CMVM acabou por concluir que não se tratava de uma oferta de valores mobiliários, ou seja, cai fora da alçada do regulador.

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