Imobiliário: setor industrial e logístico é o mais procurado por investidores europeus

Paris, Madrid, Amsterdão, Frankfurt e Londres foram os cinco destinos mais procurados na Europa para os investidores europeus. Paris saltou do quinto para o primeiro lugar, relativamente a 2017.

Industrial, e em particular logística, é o setor imobiliário mais procurado por investidores europeus, ultrapassando pela primeira vez os escritórios, de acordo com o estudo anual da CBRE Investor Intentions Survey para a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

Com o crescimento do e-commerce a continuar a beneficiar o setor, um terço (33%) dos inquiridos na Europa expressou a sua preferência pelo imobiliário industrial, refletindo a tendência global.

Na região EMEA, os escritórios ficaram em segundo lugar, reunindo as preferências de 26% dos inquiridos, com os investidores a favorecer mercados com fortes fundamentos económicos que favoreçam o aumento das rendas e elevados níveis de liquidez. O imobiliário residencial teve o aumento mais acentuado em termos de popularidade, quando comparado com 2017, e foi a classe de ativos eleita por 21% dos inquiridos.

Particularmente sobre a evolução em Portugal, Nuno Nunes, diretor de investimento da CBRE Portugal, sublinhando desde logo que este fenómeno “apenas agora começa a ser sentido de forma mais evidente” com aumento na procura de armazéns para comércio online, principalmente armazéns de proximidade e não grandes plataformas, não deixa de esclarecer que, ainda no retalho tradicional, “existem vários players que estão a ampliar de forma significativa as suas redes de distribuição promovendo também a forte expansão das suas plataformas logísticas, esperando-se a construção de mais de 300 mil m2 nos próximos 2 anos”.

Para 2018, em Portugal, o respons+avel prevê que continue a existir “2uma forte procura de escritórios suportados por escassez de espaço e subidas de rendas e de centros comerciais que estão a atravessar uma fase de mudança de paradigma. Destaca-se também a tendência de procura por imobiliário alternativo, nomeadamente em hospitais e residências para estudantes que deverão registar um volume de investimento significativo”.

Investidores, cada vez mais, criativos

Este estudo mostra ainda que os investidores estão, cada vez mais, criativos na procura de alternativas para aplicar o capital, derivado do elevado preço dos imóveis e da reduzida disponibilidade de ativos core. Na região EMEA, 72% dos entrevistados indicaram que já investiram em imobiliário alternativo e 70% revelaram que estavam ativamente à procura de oportunidades nestes sectores.

O imobiliário alternativo aumentou 45% no volume de investimento dos últimos dez anos, resultando em 23,6 mil milhões de euros em 2017. Os investidores são mais propícios a investir em residências para estudantes (53%), residências para seniores (38%) e dívida (37%). Os investidores querem aumentar a exposição a estes sectores, refletindo amplamente a tendência global.

Paris, Madrid, Amsterdão, Frankfurt e Londres foram os cinco destinos mais procurados na Europa para os investidores europeus. Paris saltou do quinto para o primeiro lugar, relativamente a 2017, impulsionado pelas expetativas de que o contexto político e económico verificado na segunda metade de 2017 terá um impacto positivo no mercado imobiliário. Londres continua a ser um alvo prioritário para os investidores localizados fora da Europa e continuará, sem dúvida, a ver o maior volume de investimento quando comparado com outras cidades europeias.

Investimento recorde de 291 milhões em 2017 pode ser ulrapassado

Apesar de 2017 ter sido um ano recorde em termos de investimento no mercado imobiliário na Europa, com volumes na ordem dos 291 mil milhões de euros, os investidores europeus esperam injetar mais capital em 2018 do que em 2017. Um terço dos investidores da região EMEA (33%) espera gastar mais este ano do que no último, em comparação com os 26% no ano passado. A nível global, 45% dos investidores preveem canalizar mais capital para o setor imobiliário. No entanto, à semelhança do que se verificou em 2017, a disponibilidade de produto vai continuar a ser uma preocupação primordial para os investidores em 2018, tendo sido indicado como o maior obstáculo para 34% dos entrevistados europeus, sendo aliás, um desafio que os investidores enfrentam em todo o mundo.

O preço dos ativos tornou-se uma das maiores preocupações para investidores e é ainda mais acentuado do que no estudo do ano passado. Quase metade (44%) dos entrevistados na região EMEA afirmou que o preço é um obstáculo ao investimento, em comparação com 38% em 2017. Simultaneamente, o setor continua a praticar preços razoáveis em relação a outras classes de ativos, particularmente considerando os retornos mais elevados e as características defensivas que o imobiliário oferece. O preço competitivo dos ativos está também a encorajar alguns investidores que procuram vender imobiliário, com 40% dos investidores a contar vender mais em 2018 do que em 2017. Uma maior propensão para vender, bem como para comprar, é é um bom presságio para a liquidez do mercado em 2018.

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