Informações recolhidas de 50 milhões de perfis de Facebook ajudaram a eleger Trump. Rede social nega responsabilidades

A empresa tinha como objetivo recolher informação sobre os eleitores norte-americanos, de forma a conseguir dar resposta às suas necessidades e conquistar votos a favor de Donald Trump.

A Cambridge Analytica, uma empresa norte-americana de análise de dados, ajudou o republicano Donald Trump a vencer as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos, através da recolha de informação de cerca de 50 milhões de perfis no Facebook. Em reação à controvérsia gerada, a rede social suspendeu a atividade da plataforma Cambridge Analytica e garante que “não houve violação de informação”.

A empresa tinha como objetivo recolher informação sobre os eleitores norte-americanos, de forma a conseguir dar resposta às suas necessidades e conquistar votos a favor de Donald Trump. Christopher Wylie, um dos funcionários da empresa na altura conta ao jornal britânico “The Guardian” que a empresa “aproveitou o Facebook para recolher milhões de perfis e construir modelos de análise para direcionar conteúdos pensados nos seus maiores medos”.

A aplicação foi desenvolvida por Aleksandr Kogan, um estudante da Universidade de Cambridge, em colaboração com a Cambridge Analytica, e funcionaria apenas “para uso académico”. No entanto, a informação recolhida, sob a forma de um teste de personalidade, foi depois vendida para ajustar a campanha de Donald Trump às necessidades dos eleitores. A Cambridge Analytica era então gerida por Steve Bannon, um dos principais conselheiros do magnata republicano.

O Facebook assegura que não houve falhas de segurança da rede social, tendo em conta que para a equipa de campanha de Donald Trump aceder à informação era necessário “o utilizador dar consentimento”. “Não há dúvidas de que não se tratou de uma violação de dados”, afirmou Andrew Bosworth, executivo de longa data do Facebook. “As pessoas optaram por partilhar os seus dados com aplicações de terceiros. Se essas aplicações não cumprissem os acordos com os utilizadores, aí sim seria uma violação”.

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