“Iniciativa Pró-Montado Alentejo”: Porque ainda vamos a tempo de salvar o Alentejo da desertificação

Os promotores, um grupo constituído por produtores, municípios, associações do ambiente e especialistas de relevo, consideram essencial a sensibilização do Governo, e do primeiro-ministro em particular, para a problemática do montado no Alentejo.

Com o objetivo de alertar o Governo para a necessidade de uma maior atenção a ajustes na política, medidas e ações céleres para a “Floresta Multifuncional do Sul do país”, a “Iniciativa Pró-Montado Alentejo” apresentou-se, num encontro com jornalistas, na passada sexta-feira, na sede da Liga para a Proteção da Natureza, uma das subscritoras do movimento, garantindo que tudo fará para salvar o Alentejo da desertificação a que está condenado face à pressão crescente das alterações climáticas.

Os promotores, um grupo constituído por produtores, municípios, associações do ambiente e especialistas de relevo, consideram essencial a sensibilização do Governo, e do primeiro-ministro em particular, para a problemática do montado no Alentejo, constituído na sua maioria por azinheiras (92%) e por sobreiros (72%), e cuja sobrevivência, a longo prazo, estará em causa, se não serem tomadas medidas e ações para promoção da sua adaptação climática.

Se, genericamente, todas as florestas combatem a desertificação climática, o Alentejo é a barreira natural à entrada do Sahara em Portugal, Assim, construir essa barreira, amiga do ambiente, com base no montado de sobro e azinho, passa recuperação de solos, uma melhor infiltração e retenção das águas da chuva e pelo adensamento do arvoredo existente. Ao mesmo tempo, estará a ser fomentada a coesão económica e social, mantendo-se a cadeia de abastecimento industrial.

Propostas enviadas ao Governo (que ainda não se pronunciou)

Depois de em maio último terem feito chegar um conjunto de propostas a António Costa, foram informados de que pouco tempo depois seguiu para o Ministério da Agricultura e está, neste momento, nas mãos do secretário de Estado das Florestas. Entre essas propostas, urgentes, destaca-se, desde logo, um procedimento base: que o Governo evite, em discursos oficiais, a referência à floresta portuguesa como única ou homogénea, devendo antes mencionar ‘florestas’”, defende a Iniciativa.

Destaca-se ainda a necessidade de, rapidamente, segmentar a política florestal, orientando e especializando a aplicação dos recursos para as medidas e ações mais prementes em cada um dos dois tipos de floresta-base nacional, designadamente, a prevenção de incêndios na floresta de produção lenhosa, concentrada a Norte e Centro, e a adaptação climática na floresta multifuncional, concentrada a Sul, em especial no Alentejo.

Sublinham ainda que, mesmo que as alterações climáticas venham a potenciar a instalação de povoamentos de montado de sobro nas zonas Centro e Norte, os resultados práticos em termos de rendimentos para os agricultores e de cortiça de qualidade para a indústria, demorarão cerca de 30 a 40 anos a aparecer.

Outra das premências passa pelo lançamento de um concurso regional, especificamente para o Alentejo, na Medida 815 (Melhoria de Resiliência e do Valor Ambiental das Florestas), com um valor adaptado às circunstâncias, devendo por isso rondar os 60 milhões de euros. Neste concurso, sugerem ainda que seja alterada a fórmula VGO – Valia Global da Operação, eliminando o critério ZIF – Zona de Intervenção Florestal que “nunca devia ter sido aplicado aos montados”, reforçam.

Na esfera do apoio financeiro, o alerta passa também pelo reforço do valor do PDF Florestal, atualmente com 503 milhões de euros para seis anos, em mais de 133 milhões, através do reforço anual da comparticipação nacional, entre 2018 e 2020.

A Iniciativa frisa ainda a “falta de atenção” que a adaptação climática dos montados de sobro e azinho tem no atual Quadro Comunitário de Apoio, “confirmando a pouca atenção que o Ministério da Agricultura lhe tem dedicado”, destacando, por exemplo, a existência de apenas dois concursos para novas intenções de investimento, desde 2015, com um valor “minimalista” de 18,2 milhões de euros.

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