Investidores respiram de alívio após ‘selloff’. PSI 20 fecha no ‘verde’

Depois do tombo dos mercados na última sessão devido à instabilidade política em Itália, as bolsas europeias voltaram a negociar com ganhos, a aproveitar os descontos nas ações. Os juros aliviaram e o euro valoriza.

Benoit Tessier / Reuters

Quase todas as principais bolsas europeias fecharam esta terça-feira com ganhos, a aliviar depois do mini-selloff da última sessão relacionado com a instabilidade política em Itália. O PSI 20 alinhou com as pares e avançou 1,39% para 5.443,56 pontos, com 15 das 18 cotadas no ‘verde’, duas no ‘vermelho’ e uma inalterada.

“Os mercados recuperam das perdas de ontem e há mesmo novos máximos históricos a serem atingidos do outro lado do Atlântico”, explicou Carla Maia Santos, senior account manager da XTB. “Na Europa, os receios esfriam e os investidores tentam perceber o real estado do governo Italiano, levando os índices europeus, na sua generalidade a recuperarem”.

O setor mais penalizado pela situação em Itália foi a banca, levando o BCP a uma queda a pique de 8,11%. Esta quarta-feira, o banco liderado por Nuno Amado recuperou e fechou com um ganho de 3,09% para 0,2466 euros por ação.

Na energia, a Galp ganhou 1,87% para 15,780 euros, a EDP subiu 1,1% para 3,390 euros, a EDP Renováveis valorizou 0,25% para 7,990 euros e a REN ganhou 1,29% para 2,356 euros. No setor do papel e pasta de papel, a Altri valorizou 3,42% para 7,570 euros, a Semapa 2,61% para 21,650 euros e a Navigator 1,05% para 5,280 euros.

As únicas cotadas do PSI 20 que contrariam a tendência e fecharam no ‘vermelho’ foram a Sonae Capital, que caiu 0,55%, e a Ibersol, que perdeu 0,45%.

Itália paga juro mais elevado em quatro anos para emitir dívida

“Os receios relativamente à situação política em Itália atenuaram-se, o que proporcionou uma menor aversão ao risco por parte dos investidores”, explicaram os analistas do BPI. Na Europa, o italiano FTSE MIB liderou os ganhos. O índice de Milão subiu 2,09%, a corrigir do tombo de 2,65% na última sessão.

O índice pan-europeu Euro Stoxx 50 valorizou 0,30%, enquanto o alemão DAX ganhou 0,96%, o espanhol IBEX 35 subiu 0,44% e o britânico FTSE 100 avançou 0,78%. A exceção foi o francês CAC 40, que deslizou 0,20%.

No mercado cambial, o euro também inverteu a tendência da última sessão e valorizou 1,08% para 1,1665 dólares.

Os juros das dívidas soberanas recuaram nos países do sul da Europa e subiram nos países refúgio, a refletir o alívio das preocupações dos investidores. A yields da dívida italiana a 10 anos cedeu 24,5 pontos base para 2,919%, no dia em que o país pagou a taxa de juro mais elevada em quatro anos para colocar 6.500 milhões de euros em obrigações soberanas.

“Desta operação transpareceu o apetite dos investidores pelo elevado retorno deste leilão, pelo que as yields das OT a 10 anos colocadas atingiram os 3%, significativamente acima dos 1,70% que o Governo pagou no último leilão realizado em abril. Na maturidade a 5 anos, a taxa de juro exigida atingiu os 2.32%, a mais elevada desde fevereiro de 2014″, explicaram os analistas do BPI.

No mercado secundário, a yield da dívida de Espanha benchmark caiu 9 pontos para 1,531% e em Portugal desceu 13,4 pontos para 2,059%. Em sentido contrário, a yield das Bunds alemãs a 10 anos subiu 11,3 pontos para 0,373% e a das Obrigações francesas 3,5 pontos para 0,69%.

[Notícia atualizada às 17h15]

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