Investimento ‘cripto’ não vai ser menos volátil, mas pode ser mais credível

Apesar de ser pouco provável que o investimento em e através de criptomoedas se torne mais estável, poderá ganhar seriedade e credibilidade no setor empresarial, rivalizando com o venture capital, segundo os oradores no evento Bit & Block: A cor do dinheiro.

Cristina Bernardo

A volatilidade do mercado ‘cripto’ não está próxima do fim. No entanto, o investimento no setor – tanto em criptomoedas como através de Initial Coin Offerings (ICO) – deverá continuar a ganhar terreno e credibilidade no tecido empresarial, segundo os oradores no evento Bit & Block: A cor do dinheiro.

“A especulação vai parar? Não, acho que não porque há muita gente que não tinha acesso ao mercado e que ainda vai entrar”, afirmou Ruca Sousa Marques, diretor executivo da Switch Payments. Artur Goulão Ferreira, co-fundador e CTO da Utrust, concorda e acrescenta que “a especulação acaba por ser consequência do sucesso”.

Ambos representam empresas dentro do setor e lembram que as criptomoedas nasceram de um mercado ilícito, mas acabaram por se expandir além deste, chamando a atenção do mundo.

Criptomoedas como a bitcoin são usadas como forma de transacionar valor, mas a elevada volatilidade dos preços tem levado a alertas de organizações, reguladores e governos para a especulação e os riscos. Segundo os dois empresários, a ideia de transacionar valor em segundos foi o que propiciou o desenvolvimento da criptomoeda. “Em 2017, tivemos todo o valor especulativo a entrar neste mercado. E temos este – não digo bolha – mas crescimento fora do normal”, afirmou Goulão Ferreira.

A Utrust foi uma das primeiras empresas portuguesas a procurar financiamento no mercado cripto, através de um ICO em novembro. Na altura, captaram 21 milhões de dólares de 12 mil investidores, sendo que estão a desenvolver um serviço de pagamentos inovador com criptomoedas.

“A forma fácil de a pessoa comum poder investir, foi o que permitiu à Utrust existir e levantar o capital necessário para desenvolver o nosso projeto”, disse.

Do lado dos investidores, João Freire de Andrade, head of Venture Capital da BiG Start Ventures e co-Fundador da Portugal Fintech, explica que “tal como havia a entrada em bolsa, com a Initial Public Offering (IPO), agora também há a abertura ao mercado através de ICO”.

Distingue os três tipos de tokens (ativos emitidos em ICO) – criptomoedas, utility tokens que dão acesso a determinados bens e security tokens que se assemelham a qualquer ativo securitizável e refere mesmo instituições mais tradicionais poderão entrar neste setor.

“Os ventures capitals não compram serviços. Os security tokens fazem sentido se representarem realmente os direitos que as ações têm. Houve algum hype, foi muito fácil levantar dinheiro em ICO, quando comparado com o venture capital, mas com investidores não tão seletivos em relação aos projetos”, explicou Freire de Andrade.

Apesar de não investir em ICO porque vê o setor ainda pouco maduro, não exclui a hipótese no futuro. “Faz sentido investir porque facilita muito o processo. Mas tem de criar uma nova layer que é a da governance“, acrescentou.

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