Investir na colaboração “homem-máquina” pode aumentar receitas das seguradoras em 17%

Contrariamente à crença popular de que a Inteligência Artificial iria reduzir postos de trabalho, 67% dos executivos das seguradoras esperam que esta tecnologia resulte num ganho líquido em termos de postos de trabalho.

As seguradoras podem comprometer as oportunidades de crescimento caso os executivos não tomem providências para atrair novos talentos, redesenhar a forma como se trabalha e orientar a colaboração da força de trabalho com a Inteligência Artificial (IA). Quem o afirma é a consultora Accenture, com base no seu recente relatório “Future Workforce Survey – Insurance: Realizing the Full Value of AI”.

Este estudo demonstra ainda que as seguradoras que investem em IA e na colaboração homem-máquina na mesma proporção que outras empresas de alto desempenho podem, durante os próximos cinco anos, aumentar, em média, as suas receitas em 17% e o emprego em 7%.

Consultados 100 altos dirigentes e mais de 900 colaboradores não-executivos, as conclusões apontam para a necessidade de haver um maior esforço por parte das seguradoras na preparação dos colaboradores para que estes trabalhem de forma mais eficaz com a IA.

Os executivos inquiridos acreditam, por exemplo, que apenas um em quatro colaboradores está preparado para trabalhar com IA. Além disso, mais de quatro em 10 colaboradores (43%) referem o aumento da disparidade de qualificações como o fator que mais influencia a sua estratégia de força de trabalho. Apesar da clara necessidade de preparação, apenas 4% das seguradoras planeia aumentar significativamente o seu investimento em programas de requalificação nos próximos três anos.

“A IA tem o potencial para impulsionar a inovação, o crescimento e a eficiência, mas a hesitação das seguradoras em requalificar corretamente os seus colaboradores pode limitar o seu impacto”, afirma Miguel Proença, managing director da Accenture, responsável pela prática de seguros em Portugal.

“Apesar de ser um negócio propício à aplicação de tecnologia e inovação, as seguradoras têm um caminho a percorrer para vencer a guerra do talento tecnológico. Os executivos precisam de pensar de forma pragmática sobre como podem trazer novo talento, redesenhar postos de trabalho e requalificar corretamente os colaboradores. Criar um ambiente de trabalho mais flexível pode ser um primeiro passo-chave para atrair ‘data scientists’ e outros talentos”, reforça ainda Miguel Proença.

A maioria dos executivos inquiridos (61%) espera que a força de trabalho do futuro seja uma conjugação de humanos e máquinas. Contrariamente à crença popular de que a IA iria reduzir postos de trabalho, dois terços (67%) dos executivos das seguradoras esperam que a IA resulte num ganho líquido em termos de postos de trabalho nos próximos três anos.

O relatório da Accenture revela também que os trabalhadores das seguradoras estão dispostos a apostar em IA nas suas funções diárias. Cerca de dois terços (68%) dos inquiridos acreditam que esta irá criar oportunidades no seu trabalho, enquanto que apenas 4% julga que irá criar mais desafios. Quase três quartos (73%) acreditam que a IA irá tornar os seus trabalhos mais simples, e mais de dois terços (69%) perspetivam que permitirá um maior equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.

Ler mais
Relacionadas

Como a Inteligência Artificial já está a mudar as nossas vidas

O Parlamento Europeu não tem dúvidas. Os robôs são“pessoas eletrónicas” e os eurodeputados aprovaram ontem que se devem adotar regras em matérias de robótica e Inteligência Artificial. A ética, o impacto sobre o emprego, a sustentabilidade do Estado Social e a transformação industrial são temas em cima da mesa e discutidos por empresários como Elon Musk ou o cientista Stephen Hawking. Garantir a segurança dos humanos é outra das prioridades.

Morais Leitão recorre à startup Luminance para implementar Inteligência Artificial

A sociedade de advogados pretende automatizar processos de ‘due diligence’ para os clientes na área de M&A. É a primeira presença desta microempresa no mercado português.
Recomendadas

Inovação e empreendedorismo

Há que aplicar as novas tecnologias à cadeia de valor de uma empresa para que esta possa fornecer a melhor resposta ao cliente, conhecendo e focando-se nas necessidades que este tem. Neste ponto as startups representam uma mais-valia.

CGD avalia ações contra gestores que aprovaram crédito a Vale do Lobo

Advogados da CGD estão a avaliar ações cíveis contra gestores da administração de Santos Ferreira que deram ‘luz verde’ a operação Vale do Lobo. Parecer é entregue após o verão para decisão final.

JP Morgan bem posicionado para liderar entrada em bolsa da WeWork

Dona da WeWork vai emitir obrigações até seis mil milhões de dólares e fontes próximas da empresa revelaram que a instituição financeira que montar esta operação poderá ter papel ativo na entrada em bolsa da WeWork.
Comentários