Isabel dos Santos abre guerra à SIC nas redes sociais

Empresária angolana, acionista da NOS e da Zap, atacou a Impresa nas redes sociais, afirmando que a suspensão dos canais da SIC em Angola se deve a “questões comerciais”. Para trás ficaram os tempos em que Isabel dos Santos procurava ser discreta.

Reuters

O ‘verniz’ estalou de vez entre Isabel dos Santos e o grupo Impresa. Em ano de eleições em Angola, a acionista da NOS e da Zap retirou do ar os canais de informação da SIC, alegando que os valores cobrados pelo grupo de Pinto Balsemão são demasiado elevados. E no início desta semana, a única operadora que ainda disponibilizava os canais da SIC em Angola – a sul-africana DStv – deixou de o fazer.

Reagindo às notícias que dão conta da suspensão dos canais de informação da SIC em Angola – que coincidiu com as críticas de figuras do regime angolano à linha editorial dos meios da Impresa – Isabel dos Santos tentou desmentir que a decisão esteja relacionada com questões políticas.

Através de publicações feitas nas redes sociais, em diferentes idiomas, a filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos acusou o patrão da Impresa de “inconfessável ganância comercial”.

“A inconfessável ganância comercial do milionário Pinto Balsemão, em Angola quer encaixar pela SIC preço um milhão euros/ano. A comparar com BBC 33 mil euros/ano ou Al Jazeerah 66 mil euros/ano”, escreveu Isabel dos Santos, numa reação às notícias sobre o fim da transmissão dos canais de informação da SIC em Angola.
“A razão é comercial e não política”, conclui a empresária, na mesma nota, escrito em português, inglês e francês, defendendo que a SIC “é muito cara”.

O único serviço de televisão que ainda disponibilizava os canais de informação da SIC em Angola deixou de o fazer esta semana, disse fonte oficial do grupo Impresa ao Jornal Económico.

“A SIC foi informada que os canais SIC Notícias e SIC Internacional África deixaram de ser trasmitidos na DStv em Angola”, afirmou o porta-voz.

Em março, a difusão dos canais SIC Internacional e SIC Notícias foi suspensa nos mercados angolano e moçambicano pela operadora de televisão por satélite angolana Zap, que pertence a Isabel dos Santos e à operadora portuguesa NOS.

Isabel dos Santos entra na campanha eleitoral

Os ataques à Impresa e aos meios de comunicação social portugueses que, nas suas palavras, divulgam “fake news”, coincidiu com a entrada em força de Isabel dos Santos na campanha eleitoral para as eleições presidenciais em Angola. No Instagram e no Twitter, Isabel dos Santos tem publicado sucessivos posts contra os críticos do governo do MPLA e contra os meios de comunicação social que dão conta do agravamento do estado de saúde do chefe do Estado angolano, que tem recebido tratamento médico numa clínica em Barcelona.

Há dias, a empresária envolveu-se numa troca de galhardetes com o dissendente Luaty Beirão, no Twitter. Na discussão foram trocadas citações de personalidades famosas, com Isabel dos Santos a citar Eleanor Roosevelt para sustentar que “grandes mentes discutem ideias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas”.

Luaty Beirão, que é filho de um ex-responsável do regime, respondeu com outra frase: “até as pequenas mentes conseguem citar”.

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