Itália afunda-se numa guerra de todos contra todos

O impasse político – que não tem nada a ver com o que sucedeu na Alemanha – continua a marcar a agenda de todos os partidos. Ninguém sabe ao certo quem vai governar. O fantasma de novas eleições vai-se avolumando.

Ao cabo de duas semanas após as eleições em Itália, não só não há no horizonte político do país o mais pequeno vislumbre daquilo que possa vir a ser o próximo governo, como as posições dos quatro partidos mais votados estão tão baralhadas, que os italianos começam a convencer-se que o ato eleitoral terá de ser repetido.

A acreditar na comunicação social, o clima é o de confronto de todos contra todos, que pode atrasar semanas ou mesmo meses a formação de um governo – num quadro que é bem diferente, apesar do que diz Matteu Salvini, líder da Lega, de extrema-direita, do que se passou na Alemanha, onde ninguém contestou a evidência de que deveria ser Angela Merkel a liderar as conversações para a formação de um governo e a continuar com chanceler.

Ao contrário, em Itália, ainda ninguém conseguiu sequer decidir quem deve ser indigitado primeiro-ministro, quanto mais que forças poderão fazer parte do elenco governativo.

“Todas as fórmulas em debate são impossíveis. Vamos fazer as reformas constitucionais juntos, entre elas a lei eleitoral, e depois voltar às urnas”, disse esta semana o ministro da Cultura, Dario Franceschini, um político em final de mandato, mas que tem muito peso no Partido Democrata (PD), de centro-esquerda.

Mas os dois grandes vencedores das eleições, Luigi di Maio (líder do Movimento 5 Estrelas, M5E), e Matteo Salvini, rejeitaram sem qualquer hipótese de recuo, disseram eles, a hipótese da fórmula de “um governo de todos”.

Entretanto, Salvini fechou a porta a um governo em que o PD este presente: “a colaboração com o PD está excluída. Tudo o mais é possível”, disse. Ora a posição do líder da Lega está desalinhada com a do líder da Forza Italia, Silvio Berlusconi – que parecia ser o aliado de Salvini na coligação de direita que chegou a pensar que ganharia as eleições – que afirmou também esta semana ser plausível “um governo de centro-direita com o Partido Democrata apoiando certas medidas”.

Ao quer parece, Berlusconi está bem menos entusiasmado com um governo com o M5E – que é o da preferência de Salvini, como ele próprio já afirmou, deixando por isso de lado a aliança com a Forza Italia – cujos membros considera “uns analfabetos”, que “em 85% dos casos, nunca trabalharam”.

Por sua parte, Luigi di Maio, líder do M5E, não fecha a porta a nada e mantém que falará com todos os outros partidos – sem se perceber se isso é uma recusa da opção da Lega ou se é apenas um princípio político – mas parece ter optado, quando ficou claro que a formação de um governo iria ser mais difícil que o que parecia na noite das eleições, por remeter-se a um circunspeto silêncio que ao menos não incendeie ainda mais o ambiente político.

Até porque di Maio não parece ter nada a perder: segundo os estudos de opinião que vão sendo divulgados pelos jornais, o M5E poderia, num quadro de repetição das eleições, ver a sua posição reforçada. O problema é que a Lega também está a subir nas sondagens, pelo que novas eleições podem deixar tudo mais ou menos na mesma.

Entretanto, fora das fronteiras de Itália – e apesar de tudo o que se sabe sobre a política naquele país, os responsáveis da União Europeia vão paulatinamente desesperando.

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