Itália assusta investidores. ‘Yield’ de Portugal a 10 anos toca 2,5%

As preocupações dos investidores esta terça-feira prendem-se com a solução governativa em Itália e a moção de censura ao Governo espanhol. No mercado secundário, os juros de Espanha, Itália, Portugal e Grécia disparam, enquanto Alemanha e EUA beneficiam.

A instabilidade política em Itália, mas também em Espanha, provocou um aumento do risco das dívidas soberanas dos países periféricos da zona euro. No caso de Portugal, as yields no mercado secundário chegaram a tocar máximos de setembro do ano passado. Em sentido contrário, os investidores estão a procurar proteção na dívida alemã e norte-americana.

“Os investidores estão a exigir um prémio cada vez maior para deterem obrigações italianas face às alemãs. A yield a 10 anos italiana já ultrapassou a barreira dos 3%”, explicou Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium investment banking, sobre os juros das obrigações italianas que escalam 39,30 pontos base para 3,077%.

Os países do sul da Europa estão a sofrer o efeito de contágio da situação política em Itália (onde haverá um governo de gestão até setembro, altura em que haverá novas eleições legislativas) e em Espanha (onde o PSOE anunciou que vai apresentar uma moção de censura ao governo de Mariano Rajoy).

Em Espanha, os juros da dívida benchmark ganham 9,70 pontos base para 1,622%, enquanto na Grécia, a yield agrava 43,80 pontos para 4,925%.

No caso de Portugal, a yield das obrigações a 10 anos avançam 12,50 pontos base para 2,196%, após ter tocado esta manhã os 2,54%, valor em que não negociavam há nove meses. Graças à subida, o risco país disparou, com o diferencial face às yields das Bunds com a mesma maturidade para 190 pontos base.

Fuga para segurança

Em sentido contrário, a Alemanha é um dos países que está a ser beneficiado pela instabilidade política. Os juros das Bunds a 10 anos, um ativo de refúgio para os investidores em tempo de turbulência, descem 4,70 pontos base para 0,297%, enquanto as yields do Reino Unido caem 8,20 pontos para 1,239% e a dos EUA recuam 6,36 pontos para 2,867%.

A principal preocupação dos investidores prende-se com a solução governativa em Itália. Depois de Giuseppe Conte ter desistido de formar governo no país, o Presidente da República Sergio Matarella pediu ao economista Carlo Cottarelli para formar um governo e apresentar ao Parlamento um programa que leve o país a novas eleições.

“Cottarelli explicou que as eleições seriam depois de agosto caso o seu governo perdesse o voto de confiança do Parlamento ou no início de 2019 caso consiga o apoio das câmaras. Uma vez que é pouco provável que o governo de tecnocratas de Cottarelli consiga este apoio, o cenário de eleições no outono de 2018 é o mais provável”, explica a equipa de research do Bankinter, numa nota.

Os líderes do Movimento 5 Estrelas e da Liga Norte acusaram Matarella de se render às pressões dos investidores e de países como a Alemanha ao recusar a proposta de Conte que pretendia a nomeação do eurocético Paolo Savona para ministro das Finanças.

“O veto de Matarella a Paolo Savona adiou o risco do populismo, que deverá voltar a aparecer nas novas eleições. A permanência na UEM estará no centro das companhas nas próximas eleições, abrindo um extenso período de incerteza”, acrescentou o Bankinter.

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